Quando a Endometriose continua a doer...

9 de maio de 2018

Eu sabia que este dia ia chegar. Em 2016 quando fui submetida a uma histerectomia total eu já sabia que, de uma forma ou de outra, este dia ia acontecer e que quando ele chegasse eu ia ficar um caco. E fiquei! 

Na segunda-feira quando voltávamos da festa do dia da mãe a minha filha disse-me que queria um bebé. Comecei a brincar com ela e a dizer que tinha muitos em casa. Ela insistiu e explicou-me que queria um a sério, na minha barriga. Gelei. Da forma mais simples possível disse-lhe que não podia ser, que tal como ela sabia, a mãe tinha um dói-dói na barriga e por causa disso não podia ter mais bebés. Fez-me mais algumas perguntas. Perguntou se eu tinha ficado assim por ela nascer na minha barriga. Expliquei o que consegui e que os 3 anos dela permitem compreender. E ela começou a chorar. Um choro tão intenso que me apertava o peito a cada soluço. E eu chorei com ela. Chorei de dor. Chorei de raiva. Chorei de tristeza. Chorei porque eu sabia que este dia ia chegar. Chorei porque ela chorava. 

Não voltámos a falar do assunto mas eu sei que mais semana menos semana ela vai falar de novo, e vai chorar novamente quando eu lhe voltar a explicar que a minha barriga não pode mais ter bebés. E eu vou chorar com ela. E vou voltar a chorar quando ela já estiver a dormir. E embora tenha este luto feito vou continuar a chorar pela vida fora pelos restantes filhos que não vou gerar e pelos irmãos de sangue que não lhe vou dar! 

E choro de dor, mas choro mais ainda de raiva. De raiva por todos os anos em que eu GRITEI e pedi ajuda e ninguém me quis ouvir. Choro de raiva de todos os médicos que me atenderam, que me observaram e me disseram que eu não tinha nada. Choro de raiva de todos os médicos que me fizeram exames inúteis que nunca acusaram nada. Choro de raiva de mim mesma, por não ter gritado mais alto e mais cedo, e por em determinada altura ter quase desistido de acreditar em mim. Se tudo tivesse sido diferente o desfecho hoje poderia ser outro! 

Eu sei, consegui o que muitas mulheres com Endometriose não conseguem e gerei vida no meu corpo doente. E sou grata por isso, todos os dias. E eu sei também que a adopção é uma possibilidade igualmente válida para lhe dar um irmão. Eu sei de tudo isso. Mas continua a doer. E dói um bocadinho todos os dias, para a vida toda! 

Abraça o teu filho todos os dias!

7 de maio de 2018


Abraça o teu filho todos os dias. 
Independentemente do dia que tiveste, se estás triste, cansado, stressado, apressado ou irritado, abraça o teu filho. Antes de ele se deitar fecha os olhos e abraça-o por um longo período de tempo. 
Deixa que todas as tuas fortalezas se quebrem nesse abraço e sente a serenidade que esse momento traz ao teu dia. Parece magia! 
A vida passa num sopro, os anos correm-nos entre os dedos e se há algo que nenhum de nós conhece é o dia de amanhã. 
É por tudo isto que te digo: abraça o teu filho todos os dias, com calma e com alma. Sem pressas. Esse abraço ficará gravado no teu corpo até ao próximo e servirá de bateria sempre que as forças te faltarem! Para ele, é só o melhor presente que lhe podes dar, para toda a vida! 
Quando os anos passarem e ele for adulto não se vai lembrar dos brinquedos que teve. Não se vai lembrar das vezes em que te pediu mais um lego e tu disseste que não podia ser. Mas acredita, ele vai lembrar-se sempre da forma como tu estiveste lá para ele. Ele vai lembrar-se dos abraços que deste, da forma como lhe falaste, do colo que sempre ofereceste e de todas as vezes em que lhe disseste que nada no mundo era mais importante do que ele. 
Não tenhas medo. Não tenhas vergonha. No amor não há vergonhas. Há amor! 
Nunca será o abraço que dás e o sorriso que ofereces que te tirará o respeito que mereces. Nunca! 

A Bipolaridade da Maternidade!

30 de abril de 2018

Ser mãe é ser bipolar


Se me pedissem para definir a maternidade numa só frase, acho que esta seria a escolhida. A verdade é que se por um lado nos sentimos orgulhosas, felizes e agradecidas por vermos as nossas crias crescerem e fazerem as suas conquistas a cada dia que passa, por outro sentimos no peito uma nostalgia que chega a doer, ao saber que há coisas que não voltam mais.

Eu adoro esta fase de chegada aos quatro anos. A Bianca está super independente e já é uma óptima parceira de passeio e de actividades diversas. Se até aqui nem sempre conseguia fazer as coisas fora de casa com ela porque não dava mais de dois passos sem pedir colo, agora gosto de a levar para todo o lado. Tentei usar marsúpios e panos e cadeirinhas e cenas várias que possam imaginar, mas por motivos de saúde não conseguia mesmo andar com ela ao colo por longos períodos. Agora é tudo muito mais simples e eu adoro isso! Vamos pela rua fora de mão dada a conversar. Ela sempre a questionar o porquê das coisas e das pessoas. Paramos no parque. Vamos aos correios. Vamos à farmácia. Vamos ao supermercado. Vamos a todo o lado e ela sabe sempre como estar em cada um dos lugares. Isso deixa-me feliz. E orgulhosa.

Mas depois, de vez em quando chega o outro lado. Aquele que já tem enormes saudades de a ter bebé a dormir no meu colo. Aquele lado que já tem imensas saudades de a ter a mamar no peito. Aquele lado que até de mudar fraldas cheias de cócó sente falta. Aquele lado que sabe que todas as fases são maravilhosas e que tem de as aproveitar ao máximo e, embora saiba que o faz, fica sempre com a sensação de que o podia fazer mais. Sabem aquele lado egoísta que nos diz que eles deviam ficar sempre pequeninos? Ou que pelo menos uma vez por mês podíamos carregar no botão e durante umas horas eles voltavam a ser bebés? Ah esse lado, volta e meia bate-me à porta! 

É por tudo isto que digo, ser mãe é ser bipolar

Uma manhã diferente!

26 de abril de 2018

Eu sou daquelas pessoas que está sempre a dizer às meninas portadoras de Endometriose que entram em contacto comigo que devem ter tempo para si, cuidar de si, relaxar, etc mas depois não sigo esse conselho! Nos meus anos, em Outubro, recebi um voucher para ir ao Spa e já estamos quase em Maio e só agora [finalmente] decidi que tinha de ir. Hoje de manhã dediquei duas horas a mim mesma, num lugar fantástico aqui pertinho mas que eu ainda não conhecia.

Estive no Spa do Hotel das Termas de Monte Real. O espaço é lindíssimo e assim que passamos o portão de entrada começamos logo a respirar ar puro e a sentir serenidade. À volta há imenso espaço verde, com um pequeno lago, bancos e até um parque infantil para os mais pequenos. Neste espaço em cada terapia há um convite ao relaxamento, em cada tratamento há uma ponte para o bem-estar. 


Foram duas horas maravilhosas em que consegui desligar, relaxar e cuidar do meu corpo num ambiente de muita tranquilidade e silêncio. Fiz sauna, banho turco, jacuzzi, um banho de leite [extremamente relaxante e hidratante] e uma massagem cranio facial para terminar em beleza. Nunca tinha feito nenhuma massagem assim, mas é extremamente relaxante e revigorante. Todo o espaço envolvente é muito agradável e temos ainda à nossa disposição espreguiçadeiras para relaxar, chá quente e água aromatizada.

O pior destas coisas é que uma pessoa habitua-se rapidamente e sai de lá já a pensar que será óptimo voltar e já a planear quando isso será possível e de preferência levando o mais que tudo! Se são de Leiria ou arredores, peçam um mimo destes como prenda de aniversário porque vale muito a pena. Se são de longe e planeiam férias para estes lados, têm aqui um Hotel lindíssimo totalmente renovado, com um espaço envolvente maravilhoso, com acesso a este spa e com uma piscina exterior fantástica! 

Este NÃO é um post publicitário mas gostei tanto do espaço que achei que merecia a referência aqui no blogue. Espero que gostem!

Hoje falamos de carros!

23 de abril de 2018

Este não é um blogue sobre carros nem lifestyle, mas a verdade é que eles também fazem parte do nosso dia a dia e ter um carro adaptado às nossas necessidades é fantástico! Nós moramos perto da cidade, mas numa zona já fora da zona urbana, e em termos de transportes existe um mísero autocarro de manhã e outro ao fim do dia. Ir a pé a algum lado é possível se for sozinha e sem "carga", mas é inviável dizer que vou comprar pão ou fruta a pé porque teria pela frente uns 40minutos de caminhada para cada lado, que incluiria várias subidas puxadas. Por isso, para nós os carros são mesmo bens necessários!

Antes de mais quero esclarecer que ninguém me pediu para escrever nada nem me pagaram para o fazer. Estou a fazê-lo porque alguns dos meus seguidores me pediram para dar feedback sobre o carro e porque efectivamente quero fazer esta partilha convosco! 

Em 2014 quando soubemos que íamos ser pais percebemos automaticamente que isso representaria trocar um dos carros. Um era desportivo e o outro era comercial. Como bom Português deixámos a escolha e a compra já para uma fase em que aqui a menina já tinha um andar de pinguim. Dentro do nosso orçamento seleccionámos algumas marcas e fomos ver e experimentar alguns carros. Houve algumas marcas que nos desagradaram logo de imediato. Umas pelas características dos carros que não tinham bagageira onde se conseguisse enfiar o carrinho de bebé e outros pelos comerciais que nos atenderam. Não sei se já alguma vez vos aconteceu, mas nesta fase tivemos um vendedor que pura e simplesmente se borrifou para nós e não mostrou interesse em vender-nos nada. Ainda hoje me questiono se teremos lá ido com ar demasiado pelintra. Possivelmente sim!

A nossa escolha foi então o acabado de lançar Citroen C4Cactus. Gostámos do design irreverente do carro, da sua leveza e condução e do espaço interior. Como as possibilidades de combinações de cores eram variadas criámos o nosso carro à nossa medida e estilo. Só havia um problema, estávamos em Junho ou Julho, a Bianca nascia em Agosto e só havia carros para entrega em Outubro. E foi aí que nasceu a nossa relação de simpatia com a Sacel, que ficou sem um dos carros de demonstração para nos vender [que por sorte estava precisamente com tudo o que queríamos!].

O carro nunca deu nenhum problema, mas houve uma vez em que fiz uma azelhice e fiquei com a embaladeira de um dos lados do carro toda pendurada. Fui de imediato à oficina da Sacel e em menos de trinta minutos tinha o problema resolvido. 

Recentemente foi lançado o novo C4Catus e telefonaram-me para me convidar a experimentar o carro durante o fim-de-semana. Adorei a ideia e claro que aceitei! Para quem conduz todos os dias um, é engraçado perceber as melhorias que foram feitas. De um modo geral, o novo modelo é semelhante ao anterior, embora as linhas deste sejam mais bonitas [na minha opinião!]. A maior diferença entre o "velho" Cactus e o novo está na ausência dos "airbumps" laterais, que para mim foi um factor decisivo na compra de 2014. Acho que o torna completamente diferente de tudo o que existe no mercado, mas pelos vistos esta aceitação não foi unanime e foi necessário reformular.


Neste C4Cactus o conforto foi uma das missões. É evidente que os bancos são mais confortáveis e a insonorização do habitáculo é surpreendente. Se nas curtas viagens do dia-a-dia estes já são factores que fazem a diferença, para quem precise de fazer trajectos consideráveis é maravilhoso. Não vou entrar em detalhes sobre os quais não percebo nada, para isso deixo-vos em baixo alguns links que podem consultar, quero apenas partilhar que continuo a sentir que esta foi a escolha acertada para nós e que não trocarei o meu Cactus por outro carro muito facilmente! Aliás, se a Citroen me fizer um modelo exclusivo com os airbumps do modelo antigo mas as restantes características do carro novo, sou menina para pensar no assunto!

Obrigada à Sacel por me receber sempre tão bem, por esta oportunidade e especialmente pela lavagem do meu carro. Sou menina de não gastar água de forma desnecessária, por isso deixo sempre esta tarefa para vós nas revisões anuais!

Opiniões sobre este novo modelo escritas por quem domina o  assunto

Não há regras. Não há guião.

20 de abril de 2018

Quando iniciamos esta caminhada no mundo da maternidade a vontade de recorrer ao suporte social faz muitas vezes com que nos juntemos a muitos grupos sobre o tema nas redes sociais. Comigo não foi diferente. Mas cheguei a uma fase em que percebi que efectivamente o benefício de estar nesses grupos não era assim tão grande tendo em conta a informação muitas vezes completamente equivocada que é partilhada. Sei que quem responde às outras mães, partilhando o que consigo resultou em determinada situação ou fazendo outro tipo de sugestões, o faz sempre com a melhor das intenções e com a convicção de que o que está a partilhar é correcto e será útil para uma mãe em desespero. Mas a verdade é que nem sempre é assim e são muitas as vezes em que os conselhos dados chegam a ser perigosos. 

Os anos passaram e por diversos motivos, acabei por me voltar a juntar a um ou outro grupo, para além de ter criado o grupo fechado do blogue. E voltei a este mundo por dois motivos, o primeiro porque me serve de inspiração para escrever no blogue perceber as dificuldades porque passam as outras mães, e o segundo, porque sempre que me é possível, e tenho a certeza que posso ajudar naquele assunto, responder àquela mãe que se sente perdida. 

E como um dos assuntos que gera mais angustia aos pais são as noites mal dormidas, hoje quero escrever um pouco sobre isso. Não tenho fórmulas mágicas, porque ainda hoje, há noites em que a minha filha acorda ou vai para a nossa cama. Mas há algumas coisas que estes três anos e meio já me foram ensinando. 

Um das maiores aprendizagens que fiz é que tal como nós adultos somos todos diferentes, também os bebés são todos diferentes. Numa mesma família, com as mesmas rotinas, com os mesmos hábitos, um filho pode ter um ritmo e umas dificuldades e o outro filho ser totalmente diferente. Não há regras. Não há guião. E isso é muito importante perceber. Porque é quando se fazem as comparações que surgem as maiores angustias. É quando alguém diz "o meu filho com 2 meses dormia a noite" que a mãe que já não dorme 6 horas seguidas há 12 meses vai pôr em causa o seu papel como mãe. Cada bebé é único. É especial. Tem o seu ritmo e não há fórmulas mágicas e muito menos universais! 

Nos primeiros tempos de vida do bebé é perfeitamente normal que ele acorde de 3 em 3 horas para se alimentar. Seja dia seja noite. É perfeitamente normal que ele chore se o tentarmos deitar sozinho na alcofa ou no berço. Ele está ainda a habituar-se à vida fora do nosso útero. Está a habituar-se ao mundo exterior, a não ter contacto constante connosco. Ele sente-se desamparado. Assustado. Perdido. É normal que se acalme quando lhe damos colo. Quando o embalamos. Quando falamos com ele. É perfeitamente normal se ele só adormecer nos nossos braços ou em cima do nosso peito. E não, não estão a criar maus hábitos, estão a transmitir confiança. Estão a dizer ao vosso filho que ele saiu do seu ninho seguro mas que vocês continuam ao lado dele e estão ali para ele. 

Nesta primeira fase não há gotas mágicas, não há shampôs milagrosos, não há mezinhas especiais e não há truques. Nesta primeira fase só pode haver amor, colo, peito, embalo, tempo e protecção. Só, e apenas isso! O único segredo que posso dar-te e o único conselho sábio que tenho para ti é para que quando o teu bebe dorme tu esqueças a casa, a roupa e o que mais houver. Dorme com ele e descansa