Gestação de Substituição #1

27 de setembro de 2017

No dia 8 de Setembro fez-se história no nosso país ao ser aprovado o primeiro pedido de gestação de substituição. Tal como em 1986 a legalização da Procriação Medicamente Assistida [PMA] gerou muita polémica, agora não foi diferente. E ser o primeiro casal no país a usufruir desta lei tem um peso gigante na vida da Isabel e do Miguel. Para conseguirem gerir toda esta situação, com a tranquilidade necessária que toda a parentalidade necessita, optaram por se manter no anonimato. Contudo conheço este casal e conheço a história deles. A Isabel tem Endometriose, e tal como tantas outras mulheres com esta doença encontrou o seu refúgio na MulherEndo, associação da qual sou orgulhosamente presidente. E é por os conhecer e saber quem são que decidi dar-lhes voz, mantendo o que tanto prezam e necessitam, o anonimato.

Ao longo de todo este processo irei partilhando convosco as palavras deles, o lado deles, os sentimentos deles. Porque é fácil quem está desse lado, do lado de quem apenas lê notícias, apontar dedos, dizer que nunca faria tal coisa, dizer que esta criança vai sofrer... e eu quero provar-vos que não. Quero mostrar-vos que não!
 
Aos 30 anos, depois de uma longa luta contra a Endometriose e de alguns tratamentos de PMA a Isabel foi submetida a uma histerectomia total. Antes deste procedimento cirúrgico, que a levou a uma menopausa demasiado precoce, foi feita uma colheita de ovócitos, que ficaram congelados.


Como é que te sentiste no dia em que perdeste o teu útero, sem antes ter conseguido realizar o sonho de ser mãe? 

Isabel - Foi um misto de sensações. Por um lado a ânsia para que o sofrimento físico relacionado com a Endometriose terminasse e conseguisse ter qualidade de vida. Por outro, uma sensação de perda de feminilidade, virilidade e maternidade, pela perda do útero. Ao mesmo tempo estava serena, não fiquei nem revoltada nem angustiada, porque eu não ansiava por estar grávida, mas sim por ter um filho, e que não nascendo de mim porque a natureza assim o ditava, poderia nascer de outra pessoa, pois poderíamos recorrer à gestação de substituição (acabada de aprovar na altura) e assim ter à mesma o nosso filho tão desejado. 

Este filho vive dentro do meu coração há alguns uns anos, é alguém que nunca vi, que fisicamente não existe, mas que amo tanto... A aprovação da lei da gestação de substituição foi sem dúvida o alicerce que me deu resiliência, me permitiu ter a cabeça arrumada e aceitar sem rancor a realidade que a Endometriose ditou para a minha vida. 

Uma das questões que leio com muita frequência nos comentários às notícias sobre o vosso caso, prende-se com o porquê de não recorrerem à adopção, uma vez que existem muitas crianças institucionalizadas. Não ponderaram a adopção? 

Isabel - A adopção foi ponderada e até foi a nossa primeira opção. Sempre tive em mente adoptar, mesmo que tivesse um filho biológico. Infelizmente por motivos que agora não quero expor, mas que se prendem com a questão laboral e económica, tudo apontava que não seriamos candidatos para adopção de uma criança em Portugal, para além de que já acompanhámos muitos casos e acaba sempre por ser um processo muito demorado. Lançámo-nos para a possibilidade da adopção internacional, mas após contactar os meios legais existentes informaram-nos que o processo de adopção internacional tem um custo que varia entre 10 a 15 mil euros, e neste momento das nossas vida tal seria impensável. A gestação veio dar-nos esperança e força para não desistirmos do nosso sonho!

Tal como aconteceu quando surgiram os primeiros tratamentos de PMA, existe neste momento muito desconhecimento e algum preconceito sobre a gestação de substituição. Que peso está a ter nas vossas vidas, serem o primeiro casal em Portugal, a usar este método?

Isabel - No nosso círculo íntimo, o peso não é nenhum, pois foi uma decisão muito ponderada, discutida em família pelas pessoas afectas a nós. Temos total apoio dos nossos familiares e amigos mais próximos. Agora não descuramos a responsabilidade e peso que emana de sermos os primeiros. Sabemos que muitos julgam a nossa decisão de recorrer a esta técnica de reprodução humana. Mas esta é a nossa vontade! Este é o nosso sonho! Este é o nosso amor. E porque isto é algo que só diz respeito a nós, e para não nos magoarmos com os comentários que várias pessoas teimam em tecer, decidimos não entrar em mediatismos, não dar a cara, e manter-nos à margem de tudo o que se vai falando, produzindo, e especulando. Acredito que temos o dever de ir dando algum feedback sobre o processo de forma, também para ajudar e a dar algum alento aos casais que estão na mesma situação que nós e que depositam no nosso sucesso e na nossa coragem e vontade o impulso e a luz ao fundo do túnel, para o desejo tão grande que temos em comum que é o de sermos pais!

Não têm medo que um dia mais tarde o vosso filho sofra represálias ou seja vítima de algum tipo de descriminação?

Isabel - Não! Crescerá a saber a sua história. Saberá o imenso amor existente em cada uma das nossas lutas. Tanto pode ser gozado pela forma como nasceu, como por usar óculos, por ser rechonchudo, por ser muito alto ou muito baixo. As crianças são sinceras, toda a vida assim foi e será, resta-nos esperar que os pais dos amiguinhos dele eduquem os seus filhos com base no amor e no respeito pelo próximo. Se for o caso de ser uma criança vítima de bullying excessivo, quando chegar a altura, então teremos de lidar com isso e pedir ajuda se houver essa necessidade. Mas se há algo em todo o meu percurso de doença e de infertilidade que temos tentado fazer é não sofrer por antecipação. Deixar o tempo rolar e vivenciar cada conquista e cada derrota passo a passo. A única certeza que tenho é que familiarmente será muito amado, e para nós pais, agora essa certeza é tudo o que nos basta!

Obrigada Isabel e Miguel. Sabem que estou convosco ♥

Esta foi a minha primeira conversa com a Isabel, sei que teremos muitas mais porque as dúvidas à volta de todo este processo assim o imperam. A vós, que me lêem, deixo o repto de deixarem os vossos comentários e as vossas questões [mantendo sempre o registo que até hoje tem imperado neste espaço! Por favor!] que poderão ser respondidas num próximo artigo. Para responder também a algumas dúvidas sobre todo o processo médico irei trazer alguns especialistas no assunto, bem como um Pediatra que nos responderá a algumas questões!

Mães Sem Avental #1

26 de setembro de 2017

Mães que de tão imperfeitas se tornam perfeitas 

Volta e meia a vida é tramada, mas nos percursos mais escuros onde me faz caminhar, apresenta-me algumas pessoas que valem ouro e com quem consigo criar sinergias incríveis. Hoje trago-vos o projecto da minha querida amiga e psicóloga Sílvia Brites. A ideia é dela, o trabalho vai ser dela e eu serei assim a barriga de substituição que vai trazer o projecto dela para o mundo. 

O Mães Sem Avental é um grupo para as mães que não preenchem os requisitos da mãe tradicionalmente perfeita. Aquela que cozinha, que tem a casa impecável, que traz os miúdos sempre bem vestidos, calçados e penteados, aquela que sabe o nome de todos os colegas de turma, aquela que nunca falta, nunca falha e tem sempre a solução para tudo! [vocês já estão cansadas só de ler, aposto!]. Estas mães, as sem avental, geralmente sentem-se desajeitadas, desintegradas, esquecidas, irreflectidas, embora respondam de igual forma às necessidades de afecto dos seus filhos. Por outro lado, podem também ser mães de filhos que não cumprem os requisitos de convencionais. Afinal o que é isto de ser normal?! Será que isso existe?! As Mães Sem Avental são Mães Como Tu que podem encontrar neste espaço apoio direcionado com a Psicóloga Sílvia Brites. 

O Mães Sem Avental virá ao mundo de duas formas, em jeito de rubricas periódicas aqui no blogue Mãe Como Tu e NESTE grupo privado de facebook, onde podem ser feitas todas as partilhas, todos os desabafos e será prestado o apoio possível e necessário, a quem dele necessitar. Para além destas duas vertentes, a Sílvia encontra-se disponível para prestar apoio enquanto psicóloga presencial, por escrito [através de email] ou por vídeo [mediante agendamento].

Eu acho que sou uma Mãe Sem Avental, mas a Sílvia diz que não! Que eu sou das outras, das que enjoam por conseguirem dar conta de tudo e se esquecerem de pouco. As unhas pretas com que a minha filha foi hoje para a escola, dizem o contrário e quer-me parecer que estas rubricas ainda me vão ajudar muito. Espero que gostem deste projecto e vos ajude ♥

Casa Funcional

25 de setembro de 2017

Já por diversas vezes partilhei convosco que nos últimos anos tenho tentado modificar os ambientes cá em casa, potenciando a utilização dos espaços, minimizando o ruído visual e facilitando a limpeza. Eu não gosto de ter empregada. E embora goste de fazer limpezas e arrumações, dispenso fazê-lo como obrigação e necessidade. Acho que ainda nenhuma divisão escapou a esta onde de destralhe mas a sensação é sempre de que há ainda um longo caminho pela frente.

A última divisão a sofrer uma "limpeza" de excessos foi a cozinha, mais concretamente a bancada. Não é que estivesse atolada de coisas, até porque já é a segunda volta que leva, mas ainda tinha coisas só por decoração e sem utilidade! A semana passada retirei tudo o que não era necessário e estou muito orgulhosa. Primeiro porque a minha bancada é linda e assim como a deixei é possível ver isso e depois porque agora até tenho gosto em manter a louça lavada e tudo impecavelmente limpo. O próximo desafio é dar uma mega volta na despensa para a tornar mais prática, mais organizada e mais bonita!

Recentemente recebi o Livro Lagom - A Arte Sueca para uma vida equilibrada e embora ainda não o tenha lido de uma ponta à outra, já li muitas páginas e a sensação é a de "é mesmo isto". Encontrar o equilíbrio. Moderar o consumo por impulso. Optimizar o que temos. Reutilizar. LAGOM não tem uma palavra equivalente na língua portuguesa, mas significa, de um modo geral,"Nem pouco, nem demasiado: na medida certa". Se quiserem conhecer um pouco mais esta filosofia podem ler ESTE artigo da NIT que também li e adorei! Do livro, prometo ir partilhando algumas fotos do interior, com algumas dicas, no facebook. 



Ao adotar um estilo de vida LAGOM, é possível: 

• Reduzir o seu impacto ambiental.
• Melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida privada.
• Libertar a sua casa de coisas inúteis.
• Tornar-se um consumidor mais consciente.
• Valorizar as relações com aqueles que ama.
• Apreciar boa comida ao estilo sueco.
• Produzir os seus próprios alimentos.
• Desfrutar de exercício físico saudável na natureza.
• Viver uma vida mais equilibrada e feliz.

O frio está a chegar!

20 de setembro de 2017

No Domingo fiz uma selecção pela roupa da pequena porque o amigo Verão já deu o que tinha a dar e os dias já pedem uma manga comprida. Tirei a roupa de fresca e vi que em termos de calças e casacos estava o assunto arrumado para os próximos meses [graças à minha amiga Susana!] mas em termos de camisolas precisava de mais algumas. Tem muitas camisolas, mas mais finas, daquelas de algodão que gosto de vestir por baixo de um casaquinho ou de uma sweat e que servem de aconchego mas também são óptimas se o sol vier mais forte e ela sentir calor. 

Como sabem sou assim ligeiramente para o prática e não gosto nada de a levar para a escola com roupa muito formal. Prefiro peças simples, bonitas mas acima de tudo práticas. Penso que durante o dia é mais fácil eles brincarem se andarem à vontade e confortáveis e por isso, o que a pequena precisava era mesmo de umas sweats giras. Andei a passear-me por esta internet fora e agora estou com um grave [gravissimo!] problema. Adorei estas todas e não sei quais escolher. E acho melhor não pedir opinião à cria, porque pode correr mal e ela ser pior que a mãe e dizer que as quer todas! São ou não, uma delícia?

Tertúlias de Afectos #1 - Leiria

19 de setembro de 2017


A pedido de muitos leitores, vou dar início a algumas tertúlias Mãe Como Tu. Iremos começar por abordar a Parentalidade Consciente com a Dra. Sílvia Brites. 

Num ambiente descontraído, sem cobranças e sem medos, pretendemos dar-vos a possibilidade de se juntarem e conversarem sobre temáticas relacionadas com a educação, parentalidade e comunicação consciente. 

Se têm curiosidade em saber mais sobre parentalidade consciente,  se querem perceber como aumentar a conexão com os vossos filhos, se procuram estratégias que incentivem a colaboração e autonomia consciente das crianças com base no respeito e afeto mutuo, juntem-se a nós!

Data: 06 de Outubro - Sexta-feira - 18h30 [duração aproximada de 1h30]
Local: Centro de Leiria - [morada facultada após inscrição]
Valor: 10.00€ por pessoa
Inscrições: maecomotu@gmail.com

Divagações...

8 de setembro de 2017

Embora a Bianca já tenha feito anos em Agosto, só esta semana comemorámos na escola, com os amiguinhos. No dia em que levei o bolo para a escola, partilhei uma fotografia no facebook e escrevi algumas palavras sobre o pequeno falhanço que tinha sido usar cacau e apenas 100gr de açúcar, mas também comentei sobre o maravilhoso sorriso e a alegria da minha filha por a mãe ter feito um bolo para levar à escola e ela partilhar com os amigos. 

Nesse post apercebi-me que algumas pessoas tinham ficado perplexas por eu ter levado um bolo caseiro, simples, tosco e sem qualquer tipo de decoração. Houve até quem referisse que se chegasse à escola com um bolo assim a filha não ia querer. E eu, que tento não fazer julgamentos de valor sobre ninguém e muito menos sobre a maternidade alheia, fui conversando e tentando perceber melhor a situação. Mas juro que fiquei a pensar no assunto e juro que embora não queira criticar nada nem ninguém me faz muita confusão que aos três anos uma criança já fique desiludida porque o bolo é caseiro e não é feito numa qualquer pastelaria famosa e não está carregado de maçapão e de bonecada. É um bolo de aniversário de três anos!! Três anos! 

Não vou falar sobre o que acho errado em todo este quadro. Porque é apenas a minha opinião e não vale nada para mais ninguém a não ser para mim. Mas quero dizer-vos que me sinto imensamente feliz pelo caminho que tenho escolhido, pelos valores que tenho transmitido e pelos resultados que vamos alcançado com estas pequenas coisas. Levei um bolo tosco, caseiro e simples para a escola da minha filha, mas foi feito por mim, com amor, com carinho e utilizando ingredientes que permitissem que todos os meninos o pudessem comer. E a minha filha ficou feliz. Muito feliz. Imensamente feliz porque foi ensinada a valorizar a presença, o amor, a dedicação e as acções em detrimento do aspecto! E tudo o que eu peço é que ela continue assim e que não se deixe estragar pela sociedade das aparências!