Tertúlias de Afectos #1 - Leiria

19 de setembro de 2017


A pedido de muitos leitores, vou dar início a algumas tertúlias Mãe Como Tu. Iremos começar por abordar a Parentalidade Consciente com a Dra. Sílvia Brites. 

Num ambiente descontraído, sem cobranças e sem medos, pretendemos dar-vos a possibilidade de se juntarem e conversarem sobre temáticas relacionadas com a educação, parentalidade e comunicação consciente. 

Se têm curiosidade em saber mais sobre parentalidade consciente,  se querem perceber como aumentar a conexão com os vossos filhos, se procuram estratégias que incentivem a colaboração e autonomia consciente das crianças com base no respeito e afeto mutuo, juntem-se a nós!

Data: 06 de Outubro - Sexta-feira - 18h30 [duração aproximada de 1h30]
Local: Centro de Leiria - [morada facultada após inscrição]
Valor: 10.00€ por pessoa
Inscrições: maecomotu@gmail.com

Divagações...

8 de setembro de 2017

Embora a Bianca já tenha feito anos em Agosto, só esta semana comemorámos na escola, com os amiguinhos. No dia em que levei o bolo para a escola, partilhei uma fotografia no facebook e escrevi algumas palavras sobre o pequeno falhanço que tinha sido usar cacau e apenas 100gr de açúcar, mas também comentei sobre o maravilhoso sorriso e a alegria da minha filha por a mãe ter feito um bolo para levar à escola e ela partilhar com os amigos. 

Nesse post apercebi-me que algumas pessoas tinham ficado perplexas por eu ter levado um bolo caseiro, simples, tosco e sem qualquer tipo de decoração. Houve até quem referisse que se chegasse à escola com um bolo assim a filha não ia querer. E eu, que tento não fazer julgamentos de valor sobre ninguém e muito menos sobre a maternidade alheia, fui conversando e tentando perceber melhor a situação. Mas juro que fiquei a pensar no assunto e juro que embora não queira criticar nada nem ninguém me faz muita confusão que aos três anos uma criança já fique desiludida porque o bolo é caseiro e não é feito numa qualquer pastelaria famosa e não está carregado de maçapão e de bonecada. É um bolo de aniversário de três anos!! Três anos! 

Não vou falar sobre o que acho errado em todo este quadro. Porque é apenas a minha opinião e não vale nada para mais ninguém a não ser para mim. Mas quero dizer-vos que me sinto imensamente feliz pelo caminho que tenho escolhido, pelos valores que tenho transmitido e pelos resultados que vamos alcançado com estas pequenas coisas. Levei um bolo tosco, caseiro e simples para a escola da minha filha, mas foi feito por mim, com amor, com carinho e utilizando ingredientes que permitissem que todos os meninos o pudessem comer. E a minha filha ficou feliz. Muito feliz. Imensamente feliz porque foi ensinada a valorizar a presença, o amor, a dedicação e as acções em detrimento do aspecto! E tudo o que eu peço é que ela continue assim e que não se deixe estragar pela sociedade das aparências! 

Foi o Lobo Mau

5 de setembro de 2017
Hoje queria falar-vos deste meu projecto. Foi o Lobo Mau é o meu filho mais novo. Quem me conhece e segue há mais anos sabe que esta cabeça anda sempre a fervilhar. Sabe que tenho sempre imensos projectos e imensas ideias e que me dedico de corpo e alma às causas em que acredito. Mas a verdade é que na maior partes desses projectos não tenho retorno financeiro, e pasmem-se, a menina também tem contas para pagar! 

Um desses meus projectos é este blogue que adoro, e ao qual dedico muito do meu tempo, mas não consigo abdicar da minha linha, dos meus princípios, da minha essência e das ideias em que acredito, e não cedendo nestes aspectos não o consigo rentabilizar como a maior parte dos bloggers com a audiência que eu já tenho. Sou parva? Podia fazer publicidade a papas, a leite e a iogurtes? Podia! Mas será que o retorno que isso me daria valeria que este canto tão meu, tão a minha cara, perdesse a sua essência? Para já [e digo para já porque a palavra nunca já foi abolida do meu dicionário!] não me faz sentido. 

Outro dos meus projectos é a MulherEndo, associação que fundei com muito amor e carinho, e que presido há quase 4 anos, mas da qual é impossível alguém também tirar retorno monetário. É uma associação de apoio a portadoras de Endometriose, à qual dedico muitas horas de trabalho por dia, que amo de paixão e na qual quero continuar a investir o meu tempo e o meu cérebro, mas que também não me paga contas [verdade seja dita, há muitas vezes que sou eu a pagar para trabalhar!].  

Para além de tudo isto, que só por si já dava e sobrava para as 8 horas de trabalho diárias normais, tenho um emprego onde a carga horária vai variando consoante os meses do ano. E então o que é que decidi fazer agora para completar o "ramalhete"? Tornar-me empresária e criar a minha loja online Foi o Lobo Mau com o objectivo de rentabilizar os meses em que o meu outro emprego está mais parado.

Foi o Lobo Mau é uma loja online com artigos de decoração e brinquedos. Terá vários artigos exclusivos e todos eles foram idealizados por mim e pelas artesãs que os irão executar [pobres que tanto me têm aturado, a mim e às minhas ideias!]. Para além desses terá outros, que são assim pequenas ternuras às quais eu não resisto e que quero também partilhar convosco. Cada compra será processada por mim e cada cliente será tratado de forma única, recebendo a sua encomenda com cuidado, carinho e dedicação. Este é o meu negócio, mas terá SEMPRE a minha alma, o meu carinho e o meu empenho e cada encomenda terá um toque especial. 

E que raio de nome é este Susana? Perguntam vocês? O nome para um projecto tão querido tinha de ter algo da minha filha nele e por isso mesmo decidi usar a desculpa mais utilizada pela Bianca nas últimas semanas: Não fui eu! Foi o Lobo Mau!

Obrigada por todo o apoio que tenho recebido e pelas mensagens de carinho e suporte que me têm enviado. 

Arroz Doce com Maçã

1 de setembro de 2017

Quem me segue há algum tempo sabe que adoro experiências e que sempre que há uma oportunidade gosto de inventar alguma coisa diferente. Há uns meses experimentei criar uma receita de arroz doce sem ovos nem leite, uma versão para os pequenotes antes dos 12 meses. Por cá fez sucesso e podem ver a receita AQUI

Esta semana tinha uma boa quantidade de maçãs biológicas do quintal da sogra que precisavam de um destino urgente porque estavam a ser consumidas por largartinhas marotas, e foi então que decidi pegar na minha receita antiga e aprimorar a coisa.

Ingredientes:
Maçãs - 3 ou 4
Canela - a gosto
Arroz - 1/2 chávena
Bebida de aveia - 1 chávena 
Mel - 2 clh/sopa 

Preparação Bimby:
Colocar as maçãs descascadas e em pedaços no copo, adicionar a bebida de aveia [ou outra vegetal], o mel e um pouco de canela. Programar a 100º, velocidade 2, durante 10 minutos. Aumentar a velocidade até ao 5, durante alguns segundos para passar a maçã. Adicionar o arroz, programar a 100º, velocidade 1, durante 10 minutos. Ir verificando e se secar muito juntar mais um pouco de bebida. Dividir por taças individuais, decorar com canela e está pronto a servir. Quentinho é uma maravilha! 

Preparação no fogão:
Colocar as maçãs descascadas e em pedaços num tacho, adicionar a bebida de aveia [ou outra vegetal], o mel e um pouco de canela. Cozinhar em lume brando e ir mexendo com alguma frequência.  Passar tudo com a varinha para desfazer a maçã. Adicionar o arroz, e deixar cozinhar. Ir mexendo e se secar muito juntar mais um pouco de bebida. Dividir por taças individuais, decorar com canela e está pronto a servir.


A minha (des)organização - Em casa

31 de agosto de 2017

São muitas as vezes em que recebo comentários na página de Facebook ou no Instagram a perguntar como consigo fazer tanta coisa num único dia e principalmente como consigo manter a casa limpa e organizada. Já tinha prometido que ia falar sobre isso e hoje é o dia. Ou um dos dias, porque isto é tema para toda uma série. Antes demais é importante frisar que todos somos diferentes e acima de tudo é crucial definir quais são as nossas prioridades. Há pessoas que não passam sem ler um livro por semana, há outras que precisam de ver a novela ao fim do dia e há quem para se sentir em paz e harmonia precise de ter a casa limpa e organizada. Tudo é válido. Desde que seja o que para nós faça sentido. E começo por vos dizer que não vejo uma novela talvez há uns 8 anos [mas vejo séries!] e que não leio um livro completo, do início ao fim, há uns bons 5 anos. 

Sempre gostei muito de ler mas nos últimos anos sinto que deixei de ter a concentração necessária para o fazer. Pego num livro, começo a ler e passado duas páginas já estou a navegar na receita que vou fazer, no post que vou escrever, nas mensagens que tenho por responder ou na reunião que tenho de preparar. Se o tentar fazer quando tenho a Bianca acordada, nem a meta das duas páginas consigo alcançar. É algo que quero mudar, porque efectivamente é um hábito que gostava de ter e que sempre me deu muita inspiração para eu própria escrever.

Os meus dias não são todos iguais. Há dias em que trabalho todo o dia fora de casa e há outros em que trabalho todo o dia em casa e por isso é que é tão importante o factor organização para mim. Porque quando trabalhamos em casa é muito fácil haver uma inversão de prioridades ou ter aquela sensação de que temos todo o tempo do mundo e depois quando damos conta já é hora de ir buscar a cria à escola e metade das tarefas ficaram pendentes. 

Mas afinal quais são os teus truques para manter a casa em ordem? Perguntam vocês! A verdade é que nem sempre a casa está em ordem mas felizmente [para mim] essa não é a realidade diária, é a esporádica. Vou então fazer uma lista de pequenas coisas que me ajudam no dia-a-dia. 

1. Não lavo roupa todos os dias - felizmente tenho uma máquina de 11kg de capacidade e por norma só faço duas a três máquinas por semana. Logo não tenho de estender/apanhar/dobrar/arrumar todos os dias. 

2. Não há objetos sem lugar cá em casa - Basicamente não há correspondência em cima da mesa da cozinha, não há sacos das compras pendurados aqui ou acolá, não há casacos ou malas espalhados. Todas as coisas têm um lugar próprio e na maioria dos dias, antes de me ir deitar passo pelas principais divisões da casa e arrumo o que ficou perdido fora do lugar. São 5 minutos por dia que ao fim da semana fazem toda a diferença. No escritório tenho uma gaveta onde enfio toda a papelada que se vai juntando e não tenho tempo de arquivar, assim como aqueles objectos não identificados que não pertencem a lado algum e volta e meia aparecem!

3. Arrumar as compras, lancheiras e afins quando chegamos - Quando chegamos a casa com sacos de compras, ou com as lancheiras ao fim do dia, tento arrumar logo tudo nos sítios certos. 

4. Cá em casa não andamos calçados - Parecendo que não, o facto de os nossos sapatos ficarem na garagem e usarmos chinelos ou andarmos descalços dentro de casa, ajuda muito a que não se traga lixo para o interior.

5. Aspiro as divisões principais algumas vezes por semana - Verdade, muitas vezes depois de jantar e de arrumar a cozinha passo o aspirador na cozinha e muitas vezes aproveito e segue sala, hall e wc de serviço. Quando não o faço à noite e de manhã antes de sair vejo que está a precisar, passo num instante antes de sair. O facto de manter os espaços arrumados, quase sempre, facilita esta tarefa. Não demoro mais de 10 minutos a aspirar tudo. Basicamente tenho sempre o aspirado arrumado na despensa e ligado à tomada. Quando vejo que é preciso puxo o bicho até à cozinha e pronto! 

6. Não tenho um dia específico para a limpeza da casa - Para mim é mentalmente e fisicamente impensável passar um dia inteiro a aspirar, lavar, limpar. Lembro-me bem que quando era miúda os nossos sábados eram assim. A minha mãe começava de manhã e às vezes eram 19h quando terminávamos a tarefa. Não consigo! Basicamente vou fazendo! Se depois de jantar e de ter a cozinha arrumada, ainda tiver coragem, limpo um wc. Noutro dia trato da roupa. Noutro dia limpo o pó da sala. Outro dia segue uma janela. E assim sucessivamente. Basicamente a minha casa NUNCA está totalmente limpa. Só quando tinha empregada é que isso acontecia!

7. Eu destralho. Ele destralha. Nós destralhamos. E volta e meia eu destralho por todos - Não ter coisas em excesso é uma mais valia para manter os espaços limpos e organizados. Cá em casa somos o que hoje em dia se apelida de minimalistas. Temos poucos tapetes e carpetes, não há um único naperon e os elementos decorativos são quadros, molduras com fotografias, livros, flores e velas. Por exemplo a minha mãe adorava ter elementos decorativos da Vista Alegre, peças e peçinhas que lhe custavam os olhos da cara e que depois era um filme para limpar. Talvez porque me calhava essa tarefa a mim, nunca me deu para o mesmo. Na nossa sala o pó limpa-se em 10 minutos, e agora demora mais porque há imenso brinquedos da pequena.

8. Vou lavando a louça enquanto cozinho - Na maior parte das vezes consigo ir lavando a louça e deixando a cozinha aceitável ao mesmo tempo que cozinho o que facilita muito a vida depois, quando terminamos de comer. Neste momento não temos máquina de lavar louça, mas quando tinha conseguia melhor ainda manter a cozinha organizada. 

9. Arrumo e limpo uma gaveta/prateleira quase todos os dias - É verdade! Parece utopia mas não é! Na nossa casa temos uma imensidão de gavetas, na cozinha, no escritório, na sala, nos quartos, etc e por norma arrumo e limpo uma delas diariamente. Isto permite-me que nunca se instale o caos e que seja mais fácil de ir arrumando os ditos objectos perdidos que falei em cima. Seja enquanto tenho o jantar a fazer, seja enquanto ela está a brincar na sala e só precisa que eu esteja ali ao lado, seja em que altura do dia for, consigo sempre arranjar um bocadinho para organizar um pequeno espaço por dia! Ontem foi a gaveta das especiarias! 

10. Conheço-me bem e rentabilizo os meus picos de energia - Há dias em que o meu corpo se anda a arrastar e não quer fazer nada e há outros em que às 22h00 me dá uma energia tremenda. Quando sinto esses picos de energia aproveito-os ao máximo. cá em casa não há horas certas para determinadas tarefas. Se tiver um destes picos ponho-me a limpar um wc ou a lavar chão! 

O karma da falta de sono

29 de agosto de 2017

Lembro-me de ser miúda e de quando chegava a hora da sesta ficar o quarto a olhar para o tecto a fingir que dormia. Mais tarde, já na escola primária, o hábito da falsa sesta mantinha-se e eu ficava no quarto, às escuras, a fazer os trabalhos para depois ter mais tempo para brincar. Não me lembro de protestar a dizer que não queria dormir, mas lembro-me de nunca dormir nem dar parte fraca. 

Como o karma é tramado calhou-me na rifa uma filha que, desde bebé, acha que dormir é perda de tempo. Com a entrada na escola em Janeiro, e porque não teve outro remédio, começou a fazer sestas depois de almoço, mas quando começa a ficar muitos dias seguidos em casa vai tentando que nos esqueçamos deste hábito. E eu juro que esquecia, não fosse ela depois mais para o fim da tarde começar a ficar possuída por birras de cansaço. O descanso faz-lhe mesmo falta. Ela é que ainda não percebeu [assim como quando eu era miúda não percebia!].

Como uma viagem de carro costuma ser uma boa amiga para adormecer, depois de almoço enfiei-a no carro. Fomos a uma loja, andou feliz e contente com o cesto das compras para trás e para a frente e depois regressámos. Já estava quase a ceder ao cansaço quando começa a berrar que estava muito aflita para fazer xixi. E pronto, o meu plano foi por água a baixo. Regressámos a casa e disse-lhe que depois de ir à casa de banho ia dormir uma sesta. Protestou, disse que não precisava, que não era de noite e usou todos os argumentos que os três anos lhe permitem. Pediu para comer figos. Comeu figos e disse-lhe que não havia mais nada a seguir a não ser uma sesta. Fomos para o quarto e quis uma história. Li a história pacientemente e depois deitei-me com ela na cama. Fechei a janela, apaguei a luz e encostei a porta. Começou a cantar com aquele ar de gozo que tanto me tira do sério como me dá vontade de rir. Mandei-a calar porque eu tinha sono e queria dormir. Pediu água. Tinha muita muita sede. E como água não se nega a ninguém e ela não se ia calar, lá me levantei para ir buscar água. Bebeu água e voltou a deitar-se. Começou a enfiar-me os dedos nos olhos e novamente a argumentar que não era de noite e não queria dormir. Pediu mais água. Bebeu mais água. 1h20 minutos depois de termos regressado a casa cedeu e adormeceu. Agora se for preciso dorme até às 18h00.

Diz que o karma é lixado e é bem verdade, mas o meu karma veio refinado porque eu não dormia, mas também não protestava e não infernizava a vidinha a ninguém!