Não te bato. Abraço-te!

3 de outubro de 2015



Leio com alguma frequência relatos de pais ou outros educadores que dão estalos nas crianças para lhes ensinar que não se bate. Confesso que fico confusa. Quando ensinamos que não se deve mandar lixo para o chão, mandamos de imediato um papel para o chão? Quando ensinamos como arrumar os brinquedos, espalhamos depois pelo chão o que temos na estante dos nossos livros? Quando ensinamos a usar os talheres depois vamos comer a salada com as mãos? Quando ensinamos a usar o bacio depois vamos fazer xixi no chão da casa de banho? Então porque é que vamos bater, para ensinar que não se bate?!

Sei que ainda tenho um longo caminho para percorrer no que à educação diz respeito e que só agora começam a surgir os verdadeiros desafios a este nível, mas para mim, e repito, para mim, há coisas tão básicas, tão básicas que dependem apenas do senso comum. Dar um estalo para ensinar que não se bate não ensina nada, para além de medo. A criança pode deixar de bater, mas não o fará porque percebeu a mensagem correcta, deixará de o fazer porque terá medo da consequência que aquela atitude pode acarretar.

Mais tarde, irei escrever sobre o tema da Disciplina Positiva, que pratico, tenciono continuar a praticar e sobre a qual pretendo aprofundar os meus conhecimentos. Para já deixo apenas estes dois parágrafos para reflexão e ESTA sugestão de leitura para quem quiser abrir mais os horizontes sobre esta temática. Apenas uma nota, Disciplina Positiva é diferente de permissividade. Disciplinar de forma positiva é dedicar tempo a explicar, conversar, abraçar. Uma, duas, três ou mais vezes. Com calma, com tranquilidade, com assertividade. É respirar fundo, contar até 10 se for preciso, e voltar a explicar, a conversar e a abraçar.

Remar contra a maré...

1 de outubro de 2015
Quando fazemos escolhas que estão ligeiramente fora do padrão convencional, acabamos por ter sempre a sensação de que estamos a remar contra a maré. E há dias em que remar contra um mar agitado de dedo em riste, é ligeiramente cansativo [e irritante! Muito irritante!]. 

Se eu der um chupa-chupa à minha filha, se eu lhe der uma bolacha Maria, se eu lhe der um biberão de leite adaptado, se eu lhe der um copo de leite de vaca, se eu lhe der um iogolino ou um danoninho, se eu lhe der um pedaço de bolo de chocolate, se eu lhe der uma taça de gelatina... se eu lhe der uma coisa qualquer destas, duvido que alguém me venha perguntar "Mas porque é que estás a dar essa porcaria à menina?"; "Será que esse leite de vaca não é fraquinho?"; "Será que esse leite adaptado ainda a sustenta?" "Será que esse danoninho tem as proteínas necessárias?". Ninguém me vem perguntar nada disto. Absolutamente nada! Mas se eu der de mamar aos 13 meses, se der bolachas caseiras, se achar que devo ser eu a fazer o bolo de aniversário e este há-de ser sem açúcar, se der iogurte vegetal, se fizer as papas caseiras... Há imensas pessoas, que às vezes nem me conhecem, que se acham no direito de perguntar tudo e mais alguma coisa, questionando as minhas opções. Se eu vir uma mãe a dar dois danoninhos, como lanche, à filha de dois anos, se eu vir um bebé de um ano a comer bolo de chocolate, se eu vir um bebe de 15 dias a beber leite adaptado eu não vou dizer nada. Não tenho absolutamente nada a ver com isso. Cada qual faz as escolhas que acha mais correctas. Se me pedirem opinião, eu dou. Dou a minha e explico como faço, fiz ou farei com a minha filha. Se não perguntarem nada quem sou eu para dizer?! 

 O que não percebo, de todo, é o porquê de se questionar a qualidade do leite materno e não se questionar a qualidade do leite de vaca que está confortavelmente dentro de um pacote numa prateleira de supermercado. O que eu não percebo, de todo, é o porquê de se questionarem as papas caseiras e não se questionarem as papas quem vêm fechadinhas num pacote. O que eu não percebo, de todo, é o porquê de se questionar a opção de fazer um bolo caseiro, com açúcar de cocô para o primeiro aniversário, e não se questionar a opção de comprar um bolo de pastelaria com creme e açúcar refinado. O que eu não percebo, de todo, é o porquê de se questionar porque é que uma mãe se levanta mais cedo, todos os dias, para preparar o iogurte ou a papa caseira para o lanche da filha no infantário, e não se questiona o porquê de se ir ao supermercado de 15 em 15 dias comprar um pacote de papa diferente da que oferecem no infantário. O que eu não percebo, de todo, é porque é que tudo o que foge à regra tem de ser questionado?!

Papa caseira multi-frutos

26 de setembro de 2015
Esta semana Baby B. começou a lanchar no infantário e como o lanche varia entre Cerelac e iogurtes de aromas, decidi que lhe levaria os lanches diariamente para que ela possa continuar a comer os iogurtes naturais e as papas caseiras. No que toca às papas tenho mantido as receitas o mais simples possível, mas para a semana faço um post sobre isso. Esta introdução foi apenas para vos dizer que hoje decidi fazer uma papa caprichada para o lanche da boneca que se revelou magnífica para a libertação intestinal, se é que me entendem! Por isso, mamãs que sofrem com a prisão de ventre dos vossos pequeninos, esta receita é para vós!




Ingredientes

2 Clh/sopa de farelo de trigo
1 Clh/sopa de farinha de côco
1/2 Maçã
1/2 Banana
40gr Papaia
150ml água

Preparação
Descascar a fruta, cortar em pedaços pequenos e juntar todos os ingredientes num tacho, levar a lume brando e ir mexendo ocasionalmente durante cerca de 15 minutos. Se desejarem, no fim é passar com a varinha mágica. Se o bebé já comer bem pedaços, basta ir mexendo com as varas. 

Na Bimby
Colocar todos os ingredientes na Bimby, vel. 1, temp. 70º durante uns 15m. No fim é colocar alguns segundos na velocidade 4 ou 5, se desejarem passar a fruta toda.

Espero que gostem de mais uma receita simples e saborosa para um lanche saudável e diferente. Desejo-vos um Domingo Magnífico ♥

Sugestões de Segundo prato #1

25 de setembro de 2015

Como muitas mães me perguntavam quais os segundos pratos que eu costumava fazer para a pequena donzela cá de casa, que neste momento tem 13 meses, decidi criar um álbum na página do facebook, onde quase todos os dias partilho foto da opção do dia. Hoje decidi escrever este post para escrever um bocadinho sobre algumas das opções que tenho partilhado.


A primeira vez que dei bacalhau à boneca foi agora aos 12 meses e ela gostou. Este prato é super simples e dá para toda a família. Grão, brócolos, bacalhau e ovo. Tudo cozido sem sal nenhum e no fim temperado com fio de azeite. Não sou apologista de usar enlatados e evito ao máximo, mas confesso que neste momento não tenho tempo para demolhar e cozer grão e feijão e por isso compro em frascos e tenho sempre em casa. Muitas vezes são uma solução boa, para quando chegamos mais tarde e não temos nem tempo nem muita imaginação.

Neste prato temos um arroz de coelho com brócolos. A pequena nunca foi fã de coelho quando lho colocava na sopa e pensei que tinha a ver com o sabor mas parece que não. Para esta refeição coloquei um lobinho de coelho, uma chávena pequenina de arroz integral e um bocadinho de brócolos cortados muito pequenos num tacho com água, um dente de alho e uma folha de manjericão e deixei cozer. Depois desfiei o coelho e retirei todos os ossos e deixei apurar mais um pouco. O arroz integral demora muito mais a cozinhar do que o arroz branco, por isso, quando sei com antecedência que o vou usar, coloco-o de molho e ele cozinha mais depressa. A pequena adorou este prato, comeu tudo cheia de vontade. 

Vi esta ideia no blogue do Casal Mistério e pensei que seria uma boa sugestão para mim e para a princesa. Coloquei cogumelos frescos laminados, tomate cherry biológico cortado ao meio, brócolos, esparguete integral e salmão cozido num tacho e juntei ainda um dente de alho, um pouco de manjericão e azeite, depois adicionei água de forma a cobrir mais ou menos tudo e coloquei a cozer em lume médio. Fui mexendo algumas vezes. O resultado final é um esparguete muito saboroso e colorido. Gostei da ideia e dá para fazer com diversos ingredientes diferentes. A boneca também aprovou!

Por norma, todas as refeições que faço a pensar na boneca também as partilho com ela [o pai é que é um pouco anti-verde o que nos complica muito a logística!]. Este prato fiz todo no forno. Numa travessa coloquei duas codornizes inteiras e à volta coloquei milho, ervilhas, batata doce em pedaços, brócolos e castanhas. Temperei com óregãos, tomilho, dente de alho, fio de azeite e sumo de uma laranja e levei ao forno até estar feito. Os brócolos convém adicionar mais tarde, porque a tendência é para queimar, se estiverem muito tempo no forno. No fim separei um pouco de um dos peitos e servi com os legumes à princesa. Não ficou nada no prato para contar história! Tanto as ervilhas como o milho uso congelado.

Não tenho por hábito servir ovos muitas vezes às refeições, e quando sirvo é raro ser inteiro porque gosto de colocar ovo nos bolos ou panquecas que faço para os nossos lanches. Mas hoje quebrei a regra e fiz-lhe um ovo mexido com espinafres e cenoura. A foto não está muito boa porque havia uma princesa aos pulos na cadeira e a apontar para o prato da comida, mas o resultado final ficou muito bonito [provar não provei, porque não sobrou!]. É muito simples de fazer, cortei os espinafres e a cenoura pré-cozida [roubei um pedaço da sopa que estava a fazer], mexi um ovo inteiro e juntei tudo numa taça. Mexi muito bem e verti para uma forma de silicone em forma de estrela e levei ao forno. super simples e prático porque estava a usar o forno para fazer o meu jantar e do pai [hoje não comemos todos o mesmo, mas é muito raro acontecer]. Depois servi com arroz branco cozido. A boneca delirou!

E por hoje é tudo. Podem seguir o álbum do facebook onde há mais sugestões! Espero que gostem das sugestões e que partilhem comigo os vossos pratos porque entretanto fico sem ideias!


Desejo-vos um bom fim-de-semana! 
Aproveitem estes últimos raios de sol para passear muito ♥


A mãe que quero ser...

23 de setembro de 2015

Hoje, sou aquela mãe que fala com voz ameninada, que ri muito, que dá muitos beijinhos e abracinhos, que deixa explorar e desarrumar [dentro dos limites de segurança], que toma banho com ela, que ralha algumas vezes, mas tenta sempre explicar porquê. Não sou de bater. Não tenciono fazê-lo. Não acredito que uma palmada tenha um efeito mais positivo do que uma boa conversa ou um bom abraço. Porque às vezes, o que eles precisam mesmo é de alguém que os olhe com olhos de ver, lhes dê colo, lhes dê um grande abraço e lhes diga que estará sempre ali, independentemente de tudo.

E quero, quero mesmo continuar a ser a mãe que dá muitos beijinhos e abracinhos, ri muito, canta, dança e pula, sem vergonhas, onde quer que esteja. Quero continuar a ser a mãe que lhe diz "boa", "parabéns", "muito bem" a cada nova conquista e que diz "não faz mal", "para a próxima corre melhor", "vais ver que amanhã consegues", quando as conquistas não chegarem tão depressa como ela desejar. Quero continuar a ser a mãe que está cinco minutos antes da hora prevista. Quero continuar a ser a mãe que lê, que se informa e que procura fazer todas as escolhas de forma informada e consciente. Quero continuar a ser a mãe que lhe prepara brinquedos e actividades em vez de os comprar. Quero continuar a ser a mãe que prepara com amor, o lanche especial para que ela não coma papa de pacote nem iogurtes de aromas. Quero continuar a ser a mãe, que já depois de estar no carro volta atrás, sobe dois andares, só para ir buscar o bébéu, que tanta falta lhe fará na hora da sesta. Quero continuar a ser a mãe que rosna quando alguém quer oferecer alguma porcaria à filha. Quero continuar a ser a mãe que a deixa correr e deixa cair mas que está lá para amparar e reconfortar depois. Quero continuar a ser a mãe que "dorme" torta e destapada porque ela adormeceu no meu peito e está tão serena que não a vou acordar. Quero continuar a ser a mãe que tenho sido, com as minhas virtudes, com os meus defeitos, com as minhas ingenuidades mas sempre, sempre com a certeza de que tudo o que é feito com amor, só pode ter bons frutos.

Não quero ser a mãe perfeita. Quero apenas ser, a mãe que a minha filha precise que eu seja. Hoje, amanhã e sempre. Quero apenas continuar a ser a mãe que sabe e tem consciência de que nada nesta vida é mais importante do que as pessoas. Quero continuar a saber e a ter sempre presente que não há nenhum bem mais essencial para os nossos filhos do que o nosso carinho, o nosso amor e o tempo que passamos com eles. Não há nada nesta vida que substitua a falta que fazemos ou a ausência que marcamos. Nada. E volto a dizer... às vezes, tudo o que eles precisam é de um abraço demorado, sem pressas ♥

Gelatina saudável!

19 de setembro de 2015
Nunca gostei de gelatina. Confesso que a consistência da coisa me faz imensa confusão. Não sei explicar, mas simplesmente não consigo comer aquilo. Mas sei que a gelatina é quase obrigatória em todas as festas de anos e é uma sobremesa bastante apreciada pela maioria das pessoas sendo muitas vezes incluída na dieta alimentar dos infantários e em dietas prescritas por nutricionistas.

Há uns anos para cá tenho ouvido muita propaganda a favor da gelatina. Há quem diga que emagrece. Há quem diga que faz bem às unhas e ao cabelo. Há quem diga que que hidrata a pele... E eu às vezes pergunto-me "será que os hipotéticos benefícios compensam os malefícios? ". Vejo também, pelos vários grupos de mães onde participo, que a gelatina é oferecida a bebés, muitas vezes antes de completarem 6 meses. Como nunca foi algo que se consumisse cá em casa Baby B. nunca teve contacto que esta sobremesa, no entanto, sabia que a partir do momento em que entrasse para o infantário a realidade seria outra.

Antes de passar à opção saudável da gelatina [sim existe uma opção 100% saudável e vegetal e super fácil de fazer!] quero partilhar convosco um pouco mais sobre a forma como as gelatinas que encontramos nos supermercados são feitas. Muitas marcas já optam por gelatinas 0% de açúcar mas para o sabor estar lá à mesma têm de o substituir por outros elementos, possivelmente mais maléficos e ainda menos saudáveis do que o próprio açúcar. Para além da questão do açúcar ou adoçantes temos a questão dos corantes utilizados para a coloração das gelatinas.

Infelizmente não há no mercado uma opção que seja totalmente saudável, nem as já prontas, nem as que vêm em pacote e é necessário juntar a água. Pude confirmar esta informação junto de algumas marcas que amavelmente me responderam, às quais lancei o desafio de criar uma gelatina vegetal, sem açúcares e sem corantes. E o pior de tudo é que há muitos outros alimentos que levam gelatina, que se encontra discretamente disfarçada nos ingredientes atrás do E441.

Mães queridas que me seguem, pela saúde dos pequeninos, não é de todo recomendado oferecer este tipo de produto aos nossos pequeninos, pelo menos até aos dois anos de idade. Para quem não tem uma noção clara de como é feita a gelatina animal, recomendo que vejam o vídeo que coloco a seguir. É um pouco longo, mas vale a pena para nos elucidar mais.


Agora a parte positiva do post, é possível comer gelatina 100% saudável e não dá mais trabalho a fazer do que a que se compra em pó. Existe uma alga, chamada Ágar- Ágar que confere a textura da gelatina. Pessoalmente não vos posso dizer se o efeito fica mesmo igual, porque nunca comi gelatina da outra, logo não consigo comparar [é verdade, tenho 30 anos e nunca comi gelatina na vida. Apenas provei uma vez e nem engoli, cuspi porque detestei a textura!].

Hoje partilho convosco duas receitas simples que fiz para os anos da Baby B. ela provou as duas e apesar de ao início ter estranhado a textura, depois comeu tudo. Podem também encontrar mais receitas no blogue Na Cadeira da Papa e em vários outros blogues. Basta fazer uma pesquisa pela net para ficarem com inúmeras ideias.

Gelatina Manga Laranja
250ml de sumo de laranja natural
250ml de água
2 colheres chá de ágar-ágar
1 manga 


Colocar a água num tacho e juntar o ágar-ágar, levar a lume brando e ir mexendo até ferver. Deixar ferver cerca de 2minutos. Juntar o sumo de laranja e mexer bem. Na taça ou taças onde vão servir a gelatina, colocar a manga cortada em pedaços pequeninos. Verter a mistura por cima da manga e deixar arrefecer um pouco. Levar ao frigorifico até obter a consistência de gelatina.


Gelatina de Pêra e Banana
500ml de água
1 Pêra madura
1 Banana madura
2 colheres chá de ágar-ágar

Colocar a água num tacho e juntar o ágar-ágar, levar a lume brando e ir mexendo até ferver. Deixar ferver cerca de 2minutos. Fazer um puré com as duas frutas e juntar ao preparado anterior. Mexer bem para ligar. Verter para uma ou várias taças e deixar arrefecer um pouco. Levar ao frigorifico até obter a consistência de gelatina. Pelo que me apercebi, esta receita fica com uma consistência mais parecida com um pudim, devido à polpa da fruta.



Só ofereci estas gelatinas à pequena quando ela fez 12 meses. Mas segundo o que tenho lido, desde que já tenham feito a introdução das frutas utilizadas, não haverá problema. Como podem ver é super simples fazer uma gelatina saudável e as combinações possíveis são imensas. Mesmo para os adultos é possível fazer por exemplo o nosso chá favorito e transforma-lo numa gelatina saudável!

Espero que tenham gostado deste post e se quiserem deixar-me links de outras receitas estejam à vontade! Um óptimo e saudável fim-de-semana