A Magia dos abraços

20:45



Querida filha,
Hoje fizeste a maior birra de todos os tempos e eu, por mais que pense, ainda não consigo perceber o motivo. Foi mais de um quarto de hora avassalador, que me pareceu durar horas. Se por um lado o teu comportamento me deixou irritada, também me deixou triste e assustada. Sabes, eu às vezes também tenho medo. Medo de não te ensinar a lidar com a tua frustração da melhor forma possível. Medo de não te transmitir a educação que tanto prezo e os valores que tanto estimo. Sim, tenho medo de falhar redondamente no papel mais importante de toda a minha vida: o de ser tua mãe. 
Confesso, apeteceu-me bater-te na esperança de que acordasses da tua alucinação. Não o fiz. Apeteceu-me sair e deixar-te sozinha na sala, mas tive medo que te aleijasses e também não o fiz. Mas gritei-te. Uma, duas ou três vezes. Até que me caiu a ficha e percebi que nada ia resultar e que com a minha irritação perante o teu comportamento só te estava a deixar mais ansiosa. Parei. Respirei fundo. Contei até 10 e ofereci-te o meu colo. Ainda esperneavas e gritavas mas vieste aninhar-te no meu peito e pediste que te abraçasse. Eu abracei. O mais forte que consegui. E como por magia tu serenaste e esqueceste o que te estava a irritar. Ficamos assim alguns minutos até que tudo voltou ao normal. Sabes querida filha, há alturas em que eu também não sei lidar com tudo isto. E também há alturas em que perante a loucura me esqueço da magia que um abraço pode fazer. Hoje ele salvou-me. A mim de ser uma péssima mãe, e a ti das tuas emoções atribuladas. 

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