Mãe, quero brincos!

12:42


Cá em casa há quase todos os dias alguma coisa que poderia muito bem dar-me mote para um post, não fosse eu uma menina um bocadinho preguiçosa, que quando vos escreve gosta de o fazer com calma, tempo e paciência e sendo assim, escreve-vos menos vezes do que gostaria.
Ontem, quando eu estava a meter uns brincos [não é ritual diário!], a Bianca olhou para mim e disse-me "Mãe, também quero brincos. Emprestas-me?!".
Expliquei e mostrei que tenho um furo nas orelhas e acrescentei que fazer o furo dói um bocadinho. Ela, cheia de certezas, disse que não fazia mal, que também queria. Prolonguei a conversa mais uns minutos e percebei que, mesmo sabendo que vai doer, ela estava decidida.

Provavelmente não falarei mais no assunto, mas se ela efectivamente voltar a pedir, acho que lhe faço a vontade. Mas confesso, já sinto uma dorzinha nervosa, por saber o que lhe vai doer [ainda me lembro quando furei as minhas] e a estar a imaginar a chorar baba e ranho super arrependida da proeza [sim, eu sou dessas pessoas que imagina logo todo um quadro de terror!].

Este é um assunto que gera sempre alguma controvérsia. Há quem defenda que se deva furar logo à nascença e há quem [como eu] ache que são elas que têm de decidir se, e quando, o querem fazer. Acho que nunca tinha pensado neste assunto antes de ser mãe e mesmo depois da Bianca nascer, só pensei sobre ele porque lhe ofereceram uns brincos. Não tive coragem de lhe furar as orelhas. Se já sentia uma dor terrível a cada vacina que ela levava, não encontrava sentido no facto de estar a provocar-lhe mais dor só para lhe colocar uns brincos.

Neste ponto a opinião é sempre muito individual. Há quem defenda que se forem bebés não sentem tanto e que não vão guardar a memória da dor. Acredito que isso seja verdade mas sinceramente acho tão absurdo ser eu a tomar essa decisão para o corpo dela como se lhe fizesse uma tatuagem ou lhe fosse pintar o cabelo [estou a pegar pesado, eu sei!], mas a verdade é que estamos a fazer algo no corpo dos nossos filhos sem uma necessidade real. Sem uma necessidade médica que o justifique. Sinceramente acho que têm de ser eles a decidir se querem ou não, quando tiverem capacidade para perceber as implicações. 

Volto a dizer, não crítico quem faça logo nos primeiros meses porque efectivamente acredito que em termos de dor seja mais fácil e que não fiquem com esse registo na memória. Mas, para mim, não fez sentido. Se ela voltar a falar do assunto e voltar a pedir, acho que sim, que lá vamos nós furar as orelhas [as duas em simultâneo, senão é bem capaz de se arrepender depois da primeira orelha!]. 

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