Birras, quem as não faz?

16:44


São muitas as vezes em que penso que estou a fazer tudo mal. Que estou a errar redondamente em muitas das minhas tarefas enquanto mãe. Acho que também estes pensamentos fazem parte a nossa construção enquanto mães, e no fundo [bem lá fundo!] acho que também são importantes, porque é sinal que nos preocupamos, que relfectimos e procuramos estratégias para melhorar. 

Mas há dias... há dias em que o que mais me apetece é fazer uma grande birra. Desatar a berrar, a espernear e a dar murros às paredes. Porque há dias em que me ferve mesmo o sangue e em que tenho de virar costas e seguir no caminho oposto. Há dias em que efectivamente pomos tudo em causa porque os nossos limites são testados até ao último milímetro. Nisto da maternidade há dias maravilhosos, mas há momentos do caraças! 

E é quando ouço alguns pais dizerem que os filhos não fazem birras, nunca refilam ou contestam nada, que eu penso seriamente "alguma coisa não está bem!". Mas sabem qual é a conclusão a que chego? É que alguma coisa não está bem com eles [que estão a dizer isso para ficar bem na fotografia!] ou com os filhos [que estão com dificuldade de expressar emoções!]. 

A verdade, é que por mais difíceis que os nossos dias possam ser quando as birras tomam conta deles, é que elas [as birras] fazem parte da vida de todos os seres humanos. A diferença é que nós, adultos, já sabemos controlar-nos e sabemos encontrar formas mais aceitáveis de expressar as nossas frustrações, bem como canalizar as nossas energias de forma mais positiva. As crianças estão a aprender a lidar com tudo isso. E não é fácil! Não é fácil perceber que não se pode comer todo o chocolate que nos apetece, não é fácil perceber que não se pode ter tudo o que se deseja, não é fácil perceber que há uma coisa na sociedade chamada hierarquia e que efectivamente, há uns que mandam e os outros têm de obedecer, não é fácil perceber que depois de uma hora de prazer a desarrumar tudo temos a árdua tarefa de arrumar, não é fácil estar com sono e cansados e ainda nos pedirem que façamos coisas. A porra da vida não é mesmo fácil! E até percebermos as linhas com que temos de nos coser é uma roda viva de emoções. 

Às vezes, quando o choro é mesmo só daqueles intencionais na esperança que o cansaço auditivo provocado resulte na satisfação do desejo, peço que se cale e que pare de chorar. E não cedo! Mas quando o choro é acompanhado de uma tremenda birra, de gritos estridentes e de murros e pontapés no chão, nunca lhe peço para se calar. Ela precisa mesmo de gritar. Ela precisa mesmo daquele momento para depois podermos conversar e para depois perceber que há coisas que tem mesmo de aceitar. 

As birras dão cabe de nós, pais. Dão mesmo! Mas cada vez mais percebo que elas fazem falta e são de extrema importância para o crescimento saudável dos nossos miúdos porque até nós, muitas vezes temos situações na nossa vida com as quais só conseguimos lidar depois de muito chorar, de ir dar uma boa corrida ou uma braçadas, ou de simplesmente mandar alguém para a esquina! 

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