A Vida Toda

16:45


Quando a Bianca nasceu e a tive nos meus braços pela primeira vez percebi que havia muita coisa que tinha de mudar na nossa vida. A partir do momento em que olhei para ela soube que a partir dali a minha filha seria a prioridade, sempre. 

Os meses foram passando e fomos ajustando e reajustando as coisas de forma a que eu conseguisse gerir o meu tempo o mais possível, sem horários sempre fixos. Durante o primeiro ano fiquei com ela em casa. No segundo ano ela foi trabalhar comigo e agora, que já está no infantário, se ela está doente eu fico um dia, fico dois ou fico um mês em casa. Se sinto que ela precisa de mais atenção vou buscar mais cedo. Nunca aceitei a ideia de fazer do infantário um depósito. Nunca aceitei que ela tivesse de estar lá 10h num único dia. E nos dias em que eu não posso mesmo ir a horas que considero as mais adequadas, peço à avó que dê um jeitinho ao seu dia e a vá buscar. 

Tudo tem um custo. Há gestões orçamentais a fazer. Há coisas que agora têm de ser muito mais ponderadas. Deixei de me focar numa profissão, numa carreira, num único projecto para ter de me desdobrar em várias pequenas coisas que me permitem ter esta liberdade de horários. Há dias em que preciso de trabalhar pela noite dentro. Há semanas em que não consigo mesmo dar conta de tudo e da casa. Há alturas em que acho que o meu cérebro vai explodir e vou perder o norte. Mas é possível. Tem sido possível! Às vezes fazemos passes de mágica porque quando se quer mesmo muito, damos a volta e é possível!

E não digo que amanhã, para o mês que vem, para o ano, ou daqui a 5 anos eu não aceite alguma oportunidade que a vida me queira dar e tudo tenha de dar uma volta de 180º. Mas para já, por agora, é isto que nos faz sentido. É esta a vida que eu quero, porque sinto que é agora que ela precisa de mim. É agora que ela precisa de colo. É agora, em que ela não tem as obrigações que um dia a vida lhe dará, que eu quero estar presente. E caramba, não há nada, mas mesmo nada no mundo que pague o abraço que ela me dá antes de deitar enquanto me diz "gostei muito da nossa tarde de hoje mamã, obrigada!". 

Quando ela crescer, não vai ter grandes férias no estrangeiro para recordar, nem vai ter fotografias profissionais com roupas xpto em sessões fotográficas anuais, mas vai ter recordações do caraças do tempo que passámos juntas, das bolachas que fizemos, das tardes enfiadas em casa a fazer legos e puzzles, dos desenhos pintados a duas mãos, das histórias contadas com paciência, das sestas ao meu colo, dos passeios no parque ou na praia, das visitas inesperadas aos avós, e de tantas outras coisas. 

Já ouvi várias vezes que quando ela ganhar asas eu já perdi o comboio das oportunidades. Mas o que eu sinto é que não perdi nada. Ganhei vida, ganhei amor, ganhei abraços, ganhei sorrisos e contribui para que no mundo exista uma miúda feliz, de sorriso doce e que um dia saberá dar valor ao que realmente importa! 

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1 comentários

  1. Adoro essa música :).
    Este texto é puro amor. É escrito por alguém que sabe os custos da maternidade, que sabe estabelecer prioridades, que se sabe sacrificar por amor. Mas também é escrito por alguém que ama muita a sua criança certamente, por alguém que sabe as recompensas da maternidade, as alegrias e a felicidade que é. Desejo-te tudo de bom, para ti e para a tua família :).
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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