Stweet Dreams

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Muito se fala do sono e da forma como as crianças devem dormir. Esta questão tem sido amplamente abordada e estudada nos últimos anos e deu lugar a uma nova especialidade que pretende ajudar as famílias neste campo. A verdade é que há crianças que dormem muito e há crianças que dormem muito pouco. Tal como há adultos que precisam de mais horas de sono e outros que precisam de menos. Somos todos diferentes e isso começa desde sempre, não havendo bebés iguais. E como não há bebés iguais, quando chega a hora de dormir, na minha modesta opinião, cada família deve adaptar-se ao que funcionar melhor para si. Sem culpas e sem medos. Desde que todos durmam, para mim, parece perfeito!

Há casos em que dormir todos na mesma cama funciona melhor e só assim os pais conseguem descansar. Há casos em que assim ninguém descansa. Há casos em que aos três meses os pais acham que o bebé já deve dormir no seu próprio espaço, assim como há famílias para quem é impensável colocar o bebé tão pequenino a dormir sozinho num quarto! Quem está certo? Quem está errado? Porque é que haveria de estar alguém certo ou alguém errado? 

Por cá já passámos por diferentes fases. Ainda no hospital comecei a dormir com a Bianca ao meu lado, na minha cama, simplesmente porque fisicamente me era muito complicado levantar, tira-la do berço e voltar a deitar-me para a amamentar [assim como há quem saia de uma cesariana pronta para dançar o samba, eu saí da minha feita trapo velho!]. Quando viemos para casa, com o apoio do pai, a pequena dormia no berço, mesmo ao lado da nossa cama, e quando pedia mamocas era o pai que se levantava para a tirar e colocá-la ao meu colo. Os dias foram passando, o pai começou a trabalhar e já não sei bem como, o berço começou a ser um bonito adereço de decoração no nosso quarto! Eram mais as vezes que ela dormia na nossa cama do que lá! Mas nesta fase, em que ela era muito pequenina [sim, a miúda que hoje tem uma carinha redonda já pesou 2,500Kg], eu não dormia com ela no meio de nós. Tinha um medo terrível de lhe dar uma cotovelada [ou de ser o pai a fazê-lo!], ou de lhe taparmos a cara sem querer [dormíamos os dois quase com os pés fora da cama para ela estar acima de nós!]. E por isso, comecei a sentir necessidade de a colocar novamente no berço, nem que fosse num período da noite, para eu dormir descansada aquele bocadinho. 

Aos seis meses o berço foi para o quarto dela, e ela foi também! E eu, que amamentava passava grande parte da noite levantada. Havia noites em que ela não dormia 30 minutos seguidos. Os dias foram passando e à terceira visita nocturna ao quarto dela, ela vinha comigo para a nossa cama. Nesta altura ela já se mexia muito bem e eu não tinha tanto receio de que a aleijássemos! 

O tempo foi passando e fomos andando quase sempre neste cá e lá, entre o quarto dela e o nosso. Entre umas noites em conjunto e outras em que cada qual estava no seu espaço. Mas mais ou menos desde a altura em que fez dois anos, altura em que eu fui operada, e que ela não pôde dormir comigo sensivelmente durante um mês, nunca mais a conseguimos pôr a dormir no quarto dela. E não só não dormia no quarto dela como não ia para a cama sem que um de nós fosse.

E eu até gostava de a ter ali, de sentir aquela maozinha querida a abraçar-me ou a apertar a minha, de sentir aquele cheirinho bom bem juntinho a mim, mas para além de tudo isso eu gostava de dormir nem que fossem duas horas seguidas, direita, tapada e sem levar nenhum pontapé ao nível dos olhos, do nariz ou de uma qualquer costela. E isto começou a ser tarefa quase impossível nos últimos meses. Eu sou menina para ser feliz da vida com cinco ou seis horas de sono por dia, mas têm de ser dormidas em condições. E para mim já não estava a dar. Nem para o pai, que coitado também levava por tabela, porque ela tem murros e pontapés para mais do que um!

Então, o mês passado decidi que era altura de ela ir para o quarto dela e nós recuperarmos as nossas noites de paz e tranquilidade. Comecei por "lhe vender o peixe" qual vendedora de automóveis [que me desculpem os vendedores de automóveis, mas desde miúda que acho que são assim pessoas que conseguem ter lábia para vender até um montinho de cocó como arte rara! Muito provavelmente estou enganada, até porque comigo nunca fizeram grandes negócios, mas pronto! Somos todos um bocado pré-conceituosos e este é o meu pré!] e ela achou piada ao facto de ir ter uma cama nova, do tamanho da nossa, só para ela. Depois, e como boa negociante que sou, falei de uns lençóis da "mimi"! Que maravilha seria dormir toda a noite rodeada da sua boneca amorosa! [é neste momento que me apercebo que daqui a 20 anos não posso ter isto online, porque isto tudo vai pesar na escolha que ela vai fazer de um lar para a minha pessoa!]. Ela foi ficando entusiasmada, e mais entusiasmada e comprámos a cama e encontrámos os lençóis, e ajudou a montar a cama [verdade, verdadinha!], e ajudou a fazer a cama com os lençóis novos e desde aí que lá está. Na sua cama King Size, onde cabiam mais 20 iguais a ela, feliz da vida, a acordar apenas uma ou duas vezes [raramente] para ir fazer o seu xixi [pois, é que a miúda está tão crescida que também houve uma noite em que disse que não queria mais fraldas de noite e nunca mais as usou!].

Pensei que esta transição iria custar um pouco mais, mas a verdade é que foi muito tranquila. Desde que foi para o quarto dela que nunca mais tentou sequer dormir no nosso ou que pediu que dormíssemos com ela. Quando chega a hora de ir para a cama, vamos com ela, conversamos um bocadinho sobre como será o dia seguinte, damos umas beijokas, um grande abraço, dizemos que gostamos muito dela e vamos embora. Por norma levanta-se sempre uma vez logo de seguida para ir fazer mais um xixi de última hora. Mas depois volta e na maioria dos dias, depois de cantar um bocadinho e dar meia dúzia de voltas na cama, acaba por adormecer tranquila!

A verdade é que às vezes somos nós que complicamos e prolongamos as coisas. Lembro-me de há uns meses, quando a tentávamos fazer dormir no quarto dela, ficarmos ali à espera que ela adormecesse e muitas vezes quem adormecia éramos nós. Agora não, ela adormece sozinha e isso torna o processo todo muito mais simples e sereno. Todas as crianças são diferentes e o que funciona com umas não funciona com outras e a verdade é que, às vezes, com a mesma criança, o que funciona num dia já não vai funcionar no dia seguinte!

Confesso que nunca fiz grandes leituras sobre esta temática do sono, mas do que já li e do que vou seguindo pelas redes sociais, e se sentirem que precisam de uma ajuda extra neste campo, aconselho a seguirem a página da Constança Cordeiro Ferreira e também o seu mais recente livro Os bebés Também Querem Dormir. Existem várias teorias e várias recomendações neste campo, pessoalmente e embora não siga nada para além do nosso instinto, parece-me que a Constança é uma óptima referência, uma vez que os seus métodos respeitam acima de tudo o bebé/criança.

Sobre as nossas escolhas para o quarto da princesa, falarei noutro post, porque já me apercebi pela página de facebook que têm muitas questões!

Bons Sonhos!

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