Entrada no Infantário e Alimentação Saudável

18:08



Quem me segue no facebook sabe que não sou uma mãe 100% restritiva na alimentação da pequena mas não lhe dou alimentos processados como papas de pacote, bolachas e similares. Só come iogurtes naturais e de preferência vegetais, cereais "limpos" de açúcares e aditivos. Não come doces, chocolates, rebuçados, gomas, gelatinas e nem nos bolos ou panquecas que faço em casa coloco açúcares refinados. Nestes dois anos deve ter comido duas vezes carne de novilho e nunca comeu carne de porco. Não bebe nem sumos nem frutas de pacote. Nesta casa nunca entrou um boião de comida ou de fruta, nem outras coisas que são supostamente pensadas e preparadas para as crianças. Não me considero melhor ou pior mãe por fazer estas escolhas. São as nossas escolhas e tal como gosto que as respeitem também respeito as dos outros pais.

Com a chegada do mês de Setembro muitos foram os bebés que entraram no infantário pela primeira vez e não sei se muitos de vós já se aperceberam, mas para pais que façam escolhas similares às nossas, manter uma alimentação como esta, pode ser um grande desafio. Quando a princesa da casa foi pela primeira vez para o infantário este foi um tema que abordei logo na primeira visita. Falei com a educadora sobre as minhas escolhas e sobre a alimentação da minha filha. Senti-me compreendida e concordámos que eu levaria de casa todos os lanches para ela comer, uma vez que as ementas do almoço me pareciam bastante equilibradas e saudáveis. Percebi que no infantário que escolhi havia alguma preocupação neste sentido, uma vez que na primeira reunião geral houve, por exemplo, o pedido de que os bolos de aniversário fossem caseiros e o mais simples possível. A alimentação dela foi sempre respeitada dentro das possibilidades. Claro que em dia de aniversário os outros pais levavam bolo caseiro com açúcar e ela comeu um pedaço para não se sentir diferente. Ao lanche da manhã, como os outros meninos comiam bolacha Maria e ela começou a querer em vez das que eu lhe levava, também comia um pedaço, para não se sentir diferente. Mas fora estas pequenas excepções foi possível manter uma alimentação limpa de açúcares e corantes.

Infelizmente, e em conversa com outras mães, vejo que nem todos os infantários têm os mesmos cuidados nas escolhas das refeições principais e muito menos dos lanches. Vejo com frequência ementas para as salas de Um e Dois anos onde constam pratos como carne de porco à alentejana, feijoada, douradinhos, nuggets, arroz com salsichas, massa com atum, entre outras iguarias. É frequente que uma vez por semana haja um dia em que é servida sobremesa em detrimento da fruta, e esta varia entre a gelatina [leiam sobre ela AQUI], arroz doce ou leite creme. E, para mim, a parte pior vem à hora do lanche, onde vemos ementas onde consta o pão com doce/marmelada/tulicreme/fiambre, leite achocolatado, sumos, queques, madalenas, cerelac/nestum, chocapic e iogurtes de aromas/pedaços. Todos estes alimentos, que em muitos lados aparecem todos na ementa na mesma semana, contém doses abusivas de açúcares e outras porcarias [desculpem mas não encontro palavra mais adequada] adicionadas que não acrescentam nada, mesmo nada, de benéfico à alimentação dos nossos filhos. Já escrevi sobre o açúcar e sobre os seus malefícios para a nossa saúde há uns meses, podem ler AQUI.

Como disse logo no início, não sou obcecada com tudo o que a minha filha coloca na boca mas acho que há limites do aceitável, e pessoalmente, pelo que tenho visto, há infantários que ultrapassam em muito esses limites. E é por isso que acho, que enquanto pais, temos o direito e o dever de questionar, de querer saber mais e, caso não estejamos de acordo com a alimentação praticada nos locais que cuidam dos nossos filhos, devemos falar, devemos expôr os nossos argumentos e as nossas preocupações e devemos apresentar alternativas e soluções.

Deixo-vos alguns textos, de outros blogues que podem ajudar a obter mais informação e a ter uma visão mais clara sobre todas estas questões. Espero que vos seja útil ♥

Alimentação Saudável... É mesmo mais cara?

Se conhecerem artigos interessantes, que achem que poderiam completar esta lista informativa, podem deixar nos comentários ou enviar por mail, fico grata 

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5 comentários

  1. Olá Susana, neste momento estou a passar por uma situação de impedimento de levar o lanche para o meu filho, como sempre fiz. A escola começou a oferecer sobremesas, entre as quais mousse de chocolate, é ao lanche estrelitas, etc, pão com fiambre e marmelada.
    Poderia dizer me por exemplo se,a escola da,sua filha,é particular, se é ipss, ou pública?
    Grata

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  2. Não tenho filhos, tenho amigas com filhos e que andam na escolinha. Neste país, não sei como é em Portugal, a comida que dão é tudo o que é processado: puré de batata (e não é caseiro), salsichas, os chamados baked beans, molhos! Não entendo como é possível dar-se estas coisas a uma criança!

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  3. Eu tenho a sorte de ter o meu filhote numa escola Bebe gourmet.
    Realmente parece.me incrivel que uma escola ofereça esse tipo de alimentacao. Mas ao que parece muitas vezes sao os proprios pais que pedem porque os filhos estao habituados...

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Não sou seguidor do Blog mas vim aqui parar pela mão de uma seguidora.
    O seu caso em muito é semelhante ao nosso, independentemente do tipo de escola e estrato sócio/económico
    A nossa filha não come carne, evitamos os processados e os açúcares, não bebe leite de vaca excepto nos iogurtes, que ou são naturais ou feitos por nós, e por isto, dia sim, dia não, levamos a substituição do almoço de carne e todos os dias o lanche ou é totalmente nosso ou parcial.
    As sobremesas são bastantes mas quando as há, levamos nossas. Se gelatina, fazemo-la nós com agar agar; se pudim, nada de caramelos e o açúcar é de coco, etc
    Ora, juntando a isto, dias de 10 horas de trabalho, turnos e outros afazeres, fazer 1 ou 2 refeições diárias por dia é penoso. Isto desde os 6 meses de idade.
    Há quem diga que só sofremos desta maneira porque queremos...
    É como disse, não somos melhores nem piores mas para mim, pior que as instituições, são os pais, que não forçam nem se unem, alguns nem sabem realmente o que os filhos comem.
    Não lhes é estranho lanches desses, nem a falta de verduras nas refeições.

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