As voltas da vida...

13:13


Se há coisa que me lembro da minha infância é da vontade de ter um irmão. Lembro-me de ser miúda e de pedir vezes sem conta um irmão aos meus pais. Deixei de fazer esse pedido no dia, em que furiosa depois de muita insistência da minha parte, a minha mãe me atirou um boneco para os braços e me disse "Queres um irmão?! Toma! Tens aqui!". Não sei que idade tinha, mas lembro-me como se fosse hoje. Fiquei ali parada e pasmada, à entrada do meu quarto, enquanto ela me virou as costas. Naquele dia eu soube que não valia a pena tocar mais no assunto. Nunca tive uma justificação. Nunca ninguém se sentou ao pé de mim e me explicou porque é que eu não iria ter um irmão. Nunca tive um irmão. E caramba... ainda hoje eu queria ter um irmão!

No mês em que comemoramos o aniversário do milagre mais precioso da nossas vidas, perdi a pouca esperança que restava de um dia lhe poder dar um irmão biológico. Não sei as voltas da vida. Porque se há coisa que eu sei é que a vida dá muitas voltas. Mas sei, que Eu, a mãe dela, nunca lhe poderei dar um irmão biológico. E mais do que a dor de não poder ter mais filhos, trago no peito a dor de não lhe poder dar um irmão.

Não escolhemos o nosso destino nem as provas a que a vida nos submete. O que apenas podemos fazer é aceitar e caminhar da forma mais serena e feliz possível. Sei que um dia esta dor e esta perda se vai desvanecer. Sei que um dia este peso e este sentimento vai ficar mais suave. Sei que esta é apenas mais uma provação para me ensinar a valorizar o que já tenho e seguir o caminho em que acredito, da forma mais grata possível. Mas hoje, ainda estou em luto, e as lágrimas ainda me inundam os olhos, pelos filhos que não poderei mais ter. Mas sei, que no dia em que ela me pedir um irmão, eu me vou sentar ao lado dela e lhe vou explicar, da forma mais carinhosa que encontrar, que não poderei dar-lhe um irmão porque a Endometriose desta vez, mas só desta vez, levou a melhor... e levou uma parte de mim. 

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1 comentários

  1. É triste quando a vida nos tira opções. Tens outras, como sabes, mas que não são a mesma coisa..
    Mas é como dizes: agradecer pelo que tens e aproveitar plena e serenamente a felicidade que a tua Pequenina te(vos) traz.
    Sendo filha única, talvez sintas isso de forma diferente da que eu sinto (que tomei eu própria a iniciativa de não dar irmãos à minha) mas, até quem sabe a tua B. nunca te pedirá um irmão?

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