Remar contra a maré...

13:50

Quando fazemos escolhas que estão ligeiramente fora do padrão convencional, acabamos por ter sempre a sensação de que estamos a remar contra a maré. E há dias em que remar contra um mar agitado de dedo em riste, é ligeiramente cansativo [e irritante! Muito irritante!]. 

Se eu der um chupa-chupa à minha filha, se eu lhe der uma bolacha Maria, se eu lhe der um biberão de leite adaptado, se eu lhe der um copo de leite de vaca, se eu lhe der um iogolino ou um danoninho, se eu lhe der um pedaço de bolo de chocolate, se eu lhe der uma taça de gelatina... se eu lhe der uma coisa qualquer destas, duvido que alguém me venha perguntar "Mas porque é que estás a dar essa porcaria à menina?"; "Será que esse leite de vaca não é fraquinho?"; "Será que esse leite adaptado ainda a sustenta?" "Será que esse danoninho tem as proteínas necessárias?". Ninguém me vem perguntar nada disto. Absolutamente nada! Mas se eu der de mamar aos 13 meses, se der bolachas caseiras, se achar que devo ser eu a fazer o bolo de aniversário e este há-de ser sem açúcar, se der iogurte vegetal, se fizer as papas caseiras... Há imensas pessoas, que às vezes nem me conhecem, que se acham no direito de perguntar tudo e mais alguma coisa, questionando as minhas opções. Se eu vir uma mãe a dar dois danoninhos, como lanche, à filha de dois anos, se eu vir um bebé de um ano a comer bolo de chocolate, se eu vir um bebe de 15 dias a beber leite adaptado eu não vou dizer nada. Não tenho absolutamente nada a ver com isso. Cada qual faz as escolhas que acha mais correctas. Se me pedirem opinião, eu dou. Dou a minha e explico como faço, fiz ou farei com a minha filha. Se não perguntarem nada quem sou eu para dizer?! 

 O que não percebo, de todo, é o porquê de se questionar a qualidade do leite materno e não se questionar a qualidade do leite de vaca que está confortavelmente dentro de um pacote numa prateleira de supermercado. O que eu não percebo, de todo, é o porquê de se questionarem as papas caseiras e não se questionarem as papas quem vêm fechadinhas num pacote. O que eu não percebo, de todo, é o porquê de se questionar a opção de fazer um bolo caseiro, com açúcar de cocô para o primeiro aniversário, e não se questionar a opção de comprar um bolo de pastelaria com creme e açúcar refinado. O que eu não percebo, de todo, é o porquê de se questionar porque é que uma mãe se levanta mais cedo, todos os dias, para preparar o iogurte ou a papa caseira para o lanche da filha no infantário, e não se questiona o porquê de se ir ao supermercado de 15 em 15 dias comprar um pacote de papa diferente da que oferecem no infantário. O que eu não percebo, de todo, é porque é que tudo o que foge à regra tem de ser questionado?!

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4 comentários

  1. Tens de te aborrecer menos com isso. Acredita que quem faz outras opções também é questionado. Pode não ser por ti, mas por outras pessoas. Há sempre alguém que não concorda com as nossas opções e faz questão de o manifestar. Há sempre gente que a única coisa que sabe fazer é questionar / denegrir as opções dos outros, sejam elas quais forem.
    Fosse qual fosse o caminho que tomasses, terias sempre críticas. Acredita!
    Leva menos a peito os comentários das pessoas, segue com a tua vida e com as tuas opções, se te sentes confortável com elas!
    Não dês importância. Sério!

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  2. Pois é, há coisas já muito enraizadas sem razão nenhuma de ser! E o que foge à regra (para bem melhor, diga-se!) leva algum tempo a ser compreendido. Mas eu acredito que chegamos lá! :)
    Até lá, cada um sabe o melhor para si e para os seus (e a Susana sabe;))

    Beijinhos,
    Sweet Pi - thesweetestpiblog.blogspot.pt

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  3. true story..

    E com um bebe grande e gordinho? Aí já se ouve opiniões positivas! "Dás essa papa caseira porque o teu bebé é gordo" ou "fazes bem em não dar iogurtes de vaca, engordam muito e ele está gordo" ou "ainda mama?Por isso é que é gordo" :D :D As coisas fofinhas que uma mãe ouve :)
    enfim, é a sociedade que temos, em que magreza é sempre sinónimo de saúde :)

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  4. Somos criticados a toda a hora por tudo e todas as opções que tomamos. Ou aprendemos a ignorar ou acabamos mais vezes chateadas que o que devíamos. Também tento dar refeições equilibradas ao meu filho de 6 meses e a família do meu marido critica me até mais não, mas eu não quero saber, o filho é meu, se querem educar um, adoptem uma criança ou façam-na. Por eles eu devia dar lhe a experimentar tudo o que nós comemos... Eu repito: ele tem 6 meses!!!! Esta sociedade é louca. Para o meu sogro ele já deveria ter molhado o dedo no copo de cerveja dele e provado. Resultado: o meu filho nao fica um segundo com eles sem a minha supervisao. Eu sei q nao o posso proteger de tudo sempre mas enquanto puder, vou fazê-lo.

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