Infantário - O começo de uma vida diferente

16:43

Chamem-me lamechas, chamem-me piegas, chamem-me parva, chamem-me tola, chamem-me o que bem vos apetecer, mas a verdade é que estas primeiras semanas foram muito complicadas emocionalmente e não tenho qualquer vergonha em dizê-lo e em admito-lo. 

A integração no infantário apesar de ter sido muito muito gradual, não foi fácil, para nenhum de nós os três. Esta semana começámos a conformar-nos com esta escolha e com esta decisão, mas a verdade é que na primeira semana Baby B. estava triste. A mãe estava triste e o pai triste estava. 

Estamos todos a lidar com esta mudança e com esta alteração na rotina à nossa maneira, da forma que sabemos e da forma que nos faz mais sentido. Se estou triste, se me apetece chorar porque sei que a minha filha ficou 20minutos a chorar agarrada ao peluche, até conseguir adormecer, se isso me parte o coração, se isso me deixa de rastos, não tenho porque andar a dizer que está tudo às mil maravilhas e estamos todos felizes e contentes cada qual na sua nova rotina. Havemos de lá chegar [espero!], porque os progressos estão a ser bastante positivos, mas ainda não o conseguimos totalmente.


Confio no espaço. Confio nas pessoas. Nada disso está em causa. A verdade é que foram 12 meses em que estivemos juntas praticamente 24horas por dia. Foram 12 meses em que o nosso mundo esteve sempre interligado e no fundo, este foi o corte do cordão umbilical, tanto para mim como para ela. Dizem-me sempre que eles ficam bem, que assim que viramos costas se esquecem, que só choram mesmo quando estamos nas despedidas, que nos custa muito mais a nós do que a eles, que... que... Mas muito sinceramente, nada disso me interessa e nada disso me apazigua o coração. É a minha filha. E o resto, para mim é conversa de circunstância que se usa quando não se sabe o que dizer. 

Na primeira semana não houve dia nenhum em que Baby B.  não estivesse com olhos de choro e com um olhar triste e distante. Cada vez que eu chegava ela estava sentada no chão ou à mesa, a olhar literalmente para o ontem. Na segunda semana, começou a explorar o espaço e a ganhar confiança. Acho que já não se sente tão perdida e abandonada. O olhar já não vem pesado e choroso e eu já mereço grandes abraços e beijinhos assim que chego. Acho que já percebeu que eu vou, mas volto sempre de sorriso nos lábios e braços abertos.


Sei que nós, mulheres, lutámos muitos e muitos anos pelo direito ao trabalho e à igualdade de género, mas na minha modesta opinião, que vale o que vale e é apenas e só a minha, num mundo perfeito não existiriam infantários, e as crianças apenas iriam para o Jardim de Infância quando realmente lhes faz falta a integração com os pares e precisam de começar a desenvolver competências específicas, que nem sempre os pais ou os avós estão preparados para ensinar.

Bom fim-de-semana, pessoas queridas ♥

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5 comentários

  1. Custa muito mesmo, para todos, nomeadamente para eles como dizes. O meu filho também foi aos 12 meses, nos primeiros dias com a novidade não chorava mas depois ficou tal e qual como descreves. Se já me custava deixá-lo assim, custava ainda mais ir buscá-lo e ver aqueles olhos tão tristes. Para além disso, ele demorava a recuperar depois de já estar em casa. Ficava bastante tempo ressentido e extremamente vulnerável. Acabámos por tirá-lo porque tínhamos a opção de o fazer e por adiar a entrada. Reformulei uma série de ideias em relação à "altura certa" para ele entrar e acabou por ser uma mal que veio por bem porque fiquei também mais atenta ao que procuro de uma próxima vez. Ao contrário de vocês, percebi que não estava a confiar no espaço e que havia coisas que me desagradavam muito (como nem sequer poder ir à sala, ter de ser a entrega e recolha numa recepção). Isto para dizer que mesmo custando muito, pelo menos confiarem em quem está com ela, que fazem o melhor para que ele se sinta o menos abandonada possível (que é o sentimento chave visto que com essa idade ainda estão no pico da ansiedade de separação) e que também vos apoiam a vós pais nessa transição sem desvalorizar, é meio caminho andado. Desejo que muito em breve a vossa menina recupere toda a alegria :)

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  2. Talvez o "problema" tenha sido esse mesmo, 12 meses e 24h... Por cá, desde o início o Vi foi ficando com o pai, com uns avós e outros... Interagindo muito na rua, em lugares públicos, com as primas, com muita gente,... Resumindo esteve ligado ao mundo. Agora fica 2/3h sem mim e não há reação negativa. Sei que ainda é muito baby e que a escola é outra realidade, mas está a crescer comigo, com o pai e com o mundo, feliz ❤ A tua baby está a adaptar-se e vai ser apenas uma fase menos boa. Beijinhos

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    1. Carla Grilo, o meu filho também não ficava sempre comigo (tive de começar a trabalhar em part-time tinha ele apenas dois meses) e entre pai e avós, era cuidado por todos. A nossa dinâmica precisou de ser assim, sem ter havido exclusividade de nenhum cuidador. Também saíamos imenso e tínhamos contacto com outras pessoas, para além de que não chorava por ficar sem algum de nós (desde que houvesse alguém familiar). O resultado foi o mesmo. A questão não é tanto "a mãe 24 horas" mas a reacção negativa aos estranhos e a um espaço que não é familiar, que é típico destas idades. Quis salientar isto porque há sempre tendência para se encontrar causas e origens nestas situações o que a meu ver só aumenta nas mães uma sensação de falha. Para além disso as crianças não são todas iguais. É bom sim eles irem tendo contacto com outras pessoas mas certamente que não foi por a pequena ter estado sempre com a mãe que está a reagir assim, mas sim por ser apenas uma bebé de 12 meses que está na fase normal de dependência.

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  3. Talvez o "problema" tenha sido esse mesmo, 12 meses e 24h... Por cá, desde o início o Vi foi ficando com o pai, com uns avós e outros... Interagindo muito na rua, em lugares públicos, com as primas, com muita gente,... Resumindo esteve ligado ao mundo. Agora fica 2/3h sem mim e não há reação negativa. Sei que ainda é muito baby e que a escola é outra realidade, mas está a crescer comigo, com o pai e com o mundo, feliz ❤ A tua baby está a adaptar-se e vai ser apenas uma fase menos boa. Beijinhos

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  4. A minha Marta vai para as avós em Junho e depois para o infantário em Setembro, e eu já ando a sofrer!!!!

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