A mãe que quero ser...

22:12


Hoje, sou aquela mãe que fala com voz ameninada, que ri muito, que dá muitos beijinhos e abracinhos, que deixa explorar e desarrumar [dentro dos limites de segurança], que toma banho com ela, que ralha algumas vezes, mas tenta sempre explicar porquê. Não sou de bater. Não tenciono fazê-lo. Não acredito que uma palmada tenha um efeito mais positivo do que uma boa conversa ou um bom abraço. Porque às vezes, o que eles precisam mesmo é de alguém que os olhe com olhos de ver, lhes dê colo, lhes dê um grande abraço e lhes diga que estará sempre ali, independentemente de tudo.

E quero, quero mesmo continuar a ser a mãe que dá muitos beijinhos e abracinhos, ri muito, canta, dança e pula, sem vergonhas, onde quer que esteja. Quero continuar a ser a mãe que lhe diz "boa", "parabéns", "muito bem" a cada nova conquista e que diz "não faz mal", "para a próxima corre melhor", "vais ver que amanhã consegues", quando as conquistas não chegarem tão depressa como ela desejar. Quero continuar a ser a mãe que está cinco minutos antes da hora prevista. Quero continuar a ser a mãe que lê, que se informa e que procura fazer todas as escolhas de forma informada e consciente. Quero continuar a ser a mãe que lhe prepara brinquedos e actividades em vez de os comprar. Quero continuar a ser a mãe que prepara com amor, o lanche especial para que ela não coma papa de pacote nem iogurtes de aromas. Quero continuar a ser a mãe, que já depois de estar no carro volta atrás, sobe dois andares, só para ir buscar o bébéu, que tanta falta lhe fará na hora da sesta. Quero continuar a ser a mãe que rosna quando alguém quer oferecer alguma porcaria à filha. Quero continuar a ser a mãe que a deixa correr e deixa cair mas que está lá para amparar e reconfortar depois. Quero continuar a ser a mãe que "dorme" torta e destapada porque ela adormeceu no meu peito e está tão serena que não a vou acordar. Quero continuar a ser a mãe que tenho sido, com as minhas virtudes, com os meus defeitos, com as minhas ingenuidades mas sempre, sempre com a certeza de que tudo o que é feito com amor, só pode ter bons frutos.

Não quero ser a mãe perfeita. Quero apenas ser, a mãe que a minha filha precise que eu seja. Hoje, amanhã e sempre. Quero apenas continuar a ser a mãe que sabe e tem consciência de que nada nesta vida é mais importante do que as pessoas. Quero continuar a saber e a ter sempre presente que não há nenhum bem mais essencial para os nossos filhos do que o nosso carinho, o nosso amor e o tempo que passamos com eles. Não há nada nesta vida que substitua a falta que fazemos ou a ausência que marcamos. Nada. E volto a dizer... às vezes, tudo o que eles precisam é de um abraço demorado, sem pressas ♥

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