Os nossos filhos não são nossos, são do mundo!

21:42

Depois de um ano em que estivemos juntas praticamente 24h por dia, todos os dias, todas as semanas, todos os meses [salvo pequenas excepções, em que Baby B. ficou com uma das avós, por duas ou três horas!] amanhã será o primeiro dia em que a vou deixar com pessoas que não conheço de lado nenhum, num local que apenas conheço vagamente.

Fiz pesquisas, pedi referências e tomei uma decisão baseada na certeza de que seria a melhor. De que o infantário escolhido tem tudo o que precisamos e irá ser o local ideal para que a princesa mais boa possa continuar a desenvolver todas as suas capacidades. Eu preciso de voltar ao mundo, ao trabalho, à sociedade activa e ela precisa também de interagir com mais pessoas. Precisa que o mundo dela comece a alargar e deixe de ser apenas o da família e amigos mais chegados. Sei que fomos umas privilegiadas, e que há muitas mães que têm de entregar os seus filhos aos cuidados de "estranhos" com apenas três meses. Sei que tivemos o melhor ano possível, fizemos muitas aprendizagens, crescemos juntas, rimos mais do que muito, chorámos o que era necessário, dançámos, cantámos, dormimos agarradinhas e criámos uma cumplicidade única, tão especial...

Amanhã será o primeiro dia em que ficará no infantário. A integração será feita gradualmente ao longo dos próximos 15 dias, mas mesmo assim, hoje tenho o meu coração do tamanho de uma ervilha. Sei que acontece o mesmo com todas as mães e que ninguém sai do infantário, nos primeiros dias, sem umas lágrimas e um grande aperto.

Será que as minhas indicações de alimentação vão ser respeitadas? Será que a fralda vai ser mudada assim que ela fizer um cocó? Como será quando ela quiser fazer o pino em cada muda de fralda? Como será quando ela não quiser comer mais? Como será quando ela estiver triste? Como será quando ela cair e fizer mais um galo? As perguntas assaltam-me o cérebro e a angústia aperta o peito!

Eu sei que é preciso confiar, eu sei que faz parte, eu sei que não será a única nem a primeira a ir para o infantário, eu sei... eu sei que quando temos um filho, ele não é nosso... é e será sempre do mundo e é preciso saber deixar os nossos filhos voar, porque é no voo que eles aprendem a sobreviver e a viver, porque afinal, chegará o dia em que nós não estaremos lá para os amparar, para lhes dar a mão, para lhes dar colo e para os abraçar. Eu sei, mas mesmo sabendo, o peito dói, as dúvidas assaltam e o medo corrói! 

Deve ser, também isto, o amor... ♥

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2 comentários

  1. Vai correr bem! E mais rápido do que esperas, essa rotina instala-se e deixa de custar.
    Custou-me muito regressar ao trabalho, mas num instante me habituei à "nova" rotina. Como se nunca tivesse havido outra.
    Claro que no teu caso é diferente porque estiveste com ela um ano, e eu não tenho a minha num infantário mas sim em casa com uma pessoa amiga que toma conta da piquena, mas ainda assim, sei que o tempo tem esta capacidade de tornar "velhas" as coisas novas, de diluir as nossas memórias (boas ou más), de nos tornar capazes de nos adaptarmos a tudo.
    Afinal, o homem é um ser de hábitos e estes instalam-se rapidamente!

    Vai tudo correr bem! :) Beijos para ti e para a tua baby, neste dia tão "especial"! :)**

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  2. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
    reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho.Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns, decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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