Equilíbrios

16:21


Volto a este blog mais de um mês depois! A minha Baby B. já completou 2 mesinhos e o tempo é sempre muito pouco para tudo o que quero e preciso fazer, por isso, este espaço anda literalmente às moscas! Estes têm sido os dois meses mais intensos de toda a minha vida. Têm sido dois meses de grandes aprendizagens, de grandes mudanças e de algumas batalhas pessoais. 

Quando engravidei, decidi que iria ser uma mãe informada, porque considero que só quem está devidamente informado pode realizar escolhas conscientes. Para mim, sempre foi ponto assente que queria e que iria amamentar em exclusivo até aos 6 meses de vida da Baby B. Absorvi toda a informação possível sobre a amamentação, frequentei workshops e preparei-me psicologicamente para vencer as dificuldades físicas das primeiras semanas. E consegui, durante pouco mais de duas semanas, amamentar a minha filha em exclusivo. Ultrapassei as fissuras, ultrapassei os sangramentos, ultrapassei os ingurgitamentos, ultrapassei as dores que muitas vezes me faziam chorar enquanto a minha filha mamava. Ultrapassei tudo isso, porque sempre acreditei [e ainda hoje acredito] que era o melhor para a saúde e para as defesas dela.

Mas houve algo para o qual nenhum workshop me preparou... houve algo que nenhum site, nenhum livro me disse que podia acontecer. Passado duas semanas não se verificava aumento de peso e a minha filha ainda não tinha recuperado o que perdera após o nascimento. Andámos ainda uns dias a seguir alguns conselhos da enfermeira do centro de saúde e do médico de família, até que fomos mandados para a urgência de pediatria. Na urgência e após descartada a hipótese de infecção urinária, disseram-nos que o único problema era mesmo que ela tinha fome e por isso tinha de dar Leite Adaptado (LA). Ouvir da boca de médicos e enfermeiros que a nossa filha tem fome, dói tanto que não consigo descrever. Antes de lhe darem o LA pedi uma bomba para tentar tirar o meu leite e dar. Na altura e com muito esforço consegui tirar 30ml o que para um bebé tão pequenino era suficiente para uma mamada [Mas eu não sabia!]. A Enfermeira olhou para mim com cara de pena e disse "Pois isso não chega! Ela tem mesmo fome!". Regressámos a casa com indicação de dar o LA e de voltar no dia seguinte para nova avaliação do peso.

Antes de sair perguntei à pediatra se não poderia tirar o meu leite com bomba e em vez de dar LA dar o meu por biberon [assim conseguia à mesma controlar as quantidades que ela bebia]. A resposta foi "se começa a usar muito a bomba fica sem leite mais depressa!".

Felizmente sou teimosa e não desisto depressa! Viemos para casa, continuei a dar mama e dávamos também o LA mas ao contrário do que a pediatra me disse para fazer agarrei-me à bomba o máximo que pude e comecei a extrair o meu leite. Os dias foram passando e desta forma conseguimos reduzir em muito a quantidade de LA que tínhamos de dar. Maioritariamente sempre foi do meu leite que a minha filha bebeu!

O peso começou a aumentar a olhos vistos. A minha produção de leite também e fomos mantendo o nosso ritmo, o nosso sistema. Afinal a Baby B. sempre foi um pouco preguiçosa para mamar e por isso não extraia o leite que necessitava.

Têm sido dois meses intensos e muito cansativos! Confesso que inicialmente fui um pouco fundamentalista e que me doía o coração cada vez que tinha de dar LA porque já não aguentava mais de cansaço e precisava do tempo da bomba para dormir. Pedi ajuda a Conselheiras de Aleitamento Materno (CAM) para deixar de suplementar e conseguir que a minha Baby B. apenas mamasse. O próprio pediatra ajudou-me a corrigir a pega e acreditou que era possível e que íamos conseguir regressar apenas à mama. Mas não... Já fizemos algumas tentativas frustradas para que a Baby B. apenas mame e não tenha que ser suplementada [seja com o meu leite ou com o LA], mas acabamos sempre por ter de dar mais leite para além do que ela consegue extrair das mamas, porque o que não posso admitir é que a minha filha passe fome!

Neste momento, e após 2 meses, deixei-me de fundamentalismos. Continuo agarrada à bomba porque acredito que quanto mais leite do meu ela beber melhor, mas sempre que vejo que preciso daquelas horinhas da bomba para ser uma mãe psicologicamente saudável, já não choro por ter de lhe dar LA.

Toda esta experiência faz-me sentir um enorme respeito e admiração por todas as mães que conseguem amamentar exclusivamente, mas também me faz sentir uma admiração enorme por todas as outras que, tal como eu, percebem que cada bebé é um bebé, que não há receitas mágicas nem fórmulas milagrosas e que às vezes a solução que nos parecia ser a pior de todas passa a ser a única que nos permite ser melhores mães!

Fui fundamentalista relativamente à amamentação durante uns tempos, aqui me confesso! Mas a experiência mostrou-me que em momento algum o devemos ser! Acreditar no melhor caminho e fazer tudo para o seguir é maravilhoso, mas é igualmente importante saber quando temos de ceder e saber quando é preciso colocar o bem-estar dos nossos filhos acima das nossas convicções! 

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3 comentários

  1. Parabéns!!! O facto de admitir a possibilidade de lhe dar o complemento e tentar de tudo para a continuar a amamentar mostra que é uma excelente mãe. Eu também sou mãe há pouco mais de 1 mês, felizmente que o meu Leonardo é um comilão e mama tanto desde que nasceu que tem aumentado muito de peso, no entanto temo-nos deparado com o terror das cólicas frequentes e diárias, e acredite, mesmo não tendo nenhum problema nas maminhas devido à pega eficaz, também me tenho deparado com outras dificuldades,dúvidas e por vezes frustações que me fizeram deixar de lado os fundamentalismos e seguir cada vez mais o meu coração.
    Assim como aconteceu consigo, também tentei sempre ser o mais informada possível para estar bem preparada, mas chego à conclusão que informação nunca é demais... mas também nunca estamos preparadas. O mais importante é mesmo fazer tudo com amor e dedicação, ter muita paciência e vontade... e assim eles vão crescendo e vamos ultrapassando cada drama e cada medo com mais força.
    Para mim tornou-se muito importante deixar todos os preconceitos de lado, continuar a ler bastante, perguntar tudo o que vem à cabeça ao pediatra com o qual nos identificamos e confiamos e ouvir apenas as opiniões construtivas.
    =)
    Força!!!

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  2. É incrível sua história, Susana!
    O desafio da amamentação é mais complicado depois que temos filhos (eu achei). Fiz de tudo o que pude para conseguir amamentar além dos 3 meses, mas não consegui. A vantagem é que a Pediatra dos meus filhos é uma pessoa maravilhosa e me deu muito conforto e não me deixou ainda mais culpada pela falta do leite.
    Acho que você está certa em fazer o esforço que fez. E o mais importante é que foi uma decisão sua e não imposta por outra pessoa.
    Beijo!
    Sílvia
    (http://reflexoeseangustias.com)

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