Modos de ver e sentir...

14:45

Hoje passei por ESTE blog e achei interessante a forma como a autora fala sobre a sua gravidez, a forma como exprime o que sente, sem papas na língua, sem medo de críticas e censuras. Achei também interessante a diferença que existe no modo como eu sinto as coisas neste momento em que ambas passamos pela mesma experiência. 

Desde o início que considero que a minha gravidez foi uma espécie de milagre. Mesmo não sendo cristã ou crente em qualquer religião, sempre senti que a minha gravidez era algo divino. Uma dádiva do Universo, que por algum motivo me decidiu compensar. Quem me conhece sabe que o contexto da minha saúde e todas as probabilidades indicavam que este dia nunca chegaria, ou pelo menos não de forma tão tranquila e natural. Por tudo isso, e por muito mais, nunca deixarei de me sentir eternamente grata, privilegiada e abençoada por este presente que o Universo me deu. 

Voltando ao início... acho extremamente interessante como uma mesma realidade pode ser vivida e sentida de formas tão distintas. É isso que faz de nós seres únicos e especiais, sem dúvida. A minha gravidez não tem sido de todo fácil em termos físicos, e posso dizer-vos que já foram muitos os dias em que verti lágrimas com a intensidade da dor física que sinto. Mas nunca, nunca mesmo me senti menos mulher por isso. Mesmo estando de baixa desde as 22 semanas, nunca me senti menos profissional, menos competente, menos completa por isso. Mesmo precisando de ajuda externa para tarefas básicas e rotineiras do dia-a-dia, como por exemplo [e muitas vezes] levantar-me de uma cadeira ou sair do carro, nunca me senti menos abençoada por isso.

Sou muito provavelmente duplamente abençoada porque para além de tudo tenho uma [verdadeira] equipa de suporte à minha volta que apesar de fazer tudo para me ajudar e me facilitar a vida nunca me deixou sentir menos importante, menos necessária, menos mulher, menos pessoa. E sei que, apesar das minhas dores serem minhas, todos eles as sofrem como se fossem deles e que apesar de ter dentro de mim a pessoa mais importante das nossas vidas, Eu, a minha singularidade, a minha importância na vida de todos eles não foi apagada por isso. Eu não deixei de ser eu para passar a ser uma barriga. Eu passei a ser Eu mais a princesa mais especial e desejada do Universo.

E só posso sentir-me muito grata por isso ♥

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