Portugal dos Pequenitos

18 de junho de 2018

Finalmente o sol voltou a brilhar pela nossa zona e no Sábado seguimos para um programa a três, há muito desejado. Fomos ao Portugal dos Pequenitos. Já tínhamos partilhado com a Bianca que havia um sítio muito giro com casinhas pequeninas e que um dia iríamos visitar, por isso quando soube onde íamos a animação foi total. Aqui entre nós, esta parte dificultou-nos ligeiramente o tempo de viagem com a ansiedade que ela tinha para chegar!  Eu e o pai já tínhamos ido em pequenos e a curiosidade também era muita para regressar. 

Ao chegar a Coimbra deixámos o carro no parque ao lado do rio, que embora seja pago de semana, ao fim-de-semana é gratuito e pareceu-nos ter sempre lugar. Seguimos aqueles metros a pé e fomos logo deitando o olho às ementas dos restaurantes para o almoço.

A partir dos três anos as crianças já pagam entrada no Portugal dos Pequenitos mas eles têm algumas parcerias que nos dão alguns descontos na compra dos bilhetes. Podem consultar o preçário AQUI porque há também descontos para famílias, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. E as parcerias AQUI para que possam levar os vossos cartões para terem os respectivos descontos. 


Quando entrámos a Bianca começou a explorar tudo de forma tímida e sempre de mão dada com um dos de nós, mas assim que chegámos à parte das casas em miniatura foi a loucura e era vê-la a entrar em tudo, subir e descer as escadinhas e claro, fazer poses para as fotografias. Eu, adulta, aqui me confesso, também me sentei em alguns locais e entrei em tudo o que consegui. 

No Sábado tivemos o bónus de haver um espetáculo musical muito giro. Por acaso não tinha visto, mas se seguirem a página do facebook do Portugal dos Pequenitos eles vão partilhando com antecedência as actividades extra que terão disponíveis, e assim até podem agendar a visita para um dia em que haja alguma destas actividades para o dia ser ainda mais rico e divertido!


Não levámos almoço mas quem quiser pode levar marmita para "acampar" na extensa zona relvada ou em outros locais onde dá para comermos com tranquilidade. Nós saímos para almoçar, deixando os nossos bilhetes com nome, na entrada, e depois de bem almoçados e aconchegados por um geladinho do Pinguim [MARAVILHOSOS], regressámos para mais umas horas de brincadeira! 

De um modo geral está tudo como nos recordávamos e continua a ser um lugar mágico para miúdos e graúdos. Há algumas casinhas a precisar de uns retoques na pintura, o que tendo em conta a quantidade de mãos pequeninas e pezinhos que por ali passam me parece perfeitamente normal, mas o espaço está extremamente cuidado, limpo e zelado e os sanitários são impecáveis. Foi um dia muito divertido para todos e que certamente repetiremos daqui a um ano ou dois!  

Os medos das crianças

16 de junho de 2018


Todos temos medo de alguma coisa. Por mais destemidos que sejamos, por mais fortes que aparentemos ser, todos temos um medo secreto. E eles também. As crianças podem ser aventureiras e extremamente independentes mas haverá algum momento em que um medo sacana as vai inundar. E talvez nem seja fácil para nós perceber quando ou o porquê de isso acontecer. E aos nossos olhos esse medo pode parecer o mais tolo de todos e não fazer qualquer sentido. Mas não é! É um medo real. É um medo que os sufoca, que os aflige e que os faz estremecer. É um medo que nem eles conseguem compreender ou explicar. Mas será um medo que os vais atormentar até que os consigamos ajudar a ultrapassar.
Nem sempre é fácil. Às vezes leva tempo. E às vezes é preciso pedirmos ajuda. Mas o mais importante de tudo é que nos coloquemos ao lado deles, olhos nos olhos e mãos nas mãos, que lhes digamos que sabemos que eles têm medo e não faz mal, porque juntos vamos perceber como dar a volta. O mais importante é que eles saibam que nós estamos ali e somos o porto seguro. O mais importante é que, demore o tempo que demorar, juntos consigamos dar a volta por cima. As crianças têm medos. Todos temos medos. Não os desvalorizemos e não os façamos sentir que são fracos ou nos desiludem por se sentirem assim. Os medos são reais e precisam de ser valorizados e compreendidos para serem ultrapassados!

Modas

15 de junho de 2018

Eu sei que sou antiquada em muita coisa. Eu sei que vou contra a maré em tantas outras. Eu sei que cada um segue o caminho que mais lhe faz sentido e não somos ninguém para criticar. Mas aqui me confesso, não consigo perceber o fenómeno actual das lembranças nos aniversários dos miúdos. Chamem-me parva, embirrante, o que quiserem, mas simplesmente não me faz sentido!

Acho maravilhoso e importante levar um bolo para a escola para cantar os parabéns e partilhar com todos. Acho giro convidar os amigos se houver festa fora da escola e se assim os pais poderem e desejarem, mas para além disso, levar um saquinho com presentes para todos da sala é algo que me transcende. E sim, também embirro com este fenómeno pelo facto de 90% serem doces. Mas juro que não é só isso. Juro que é mesmo tudo o que isso implica e promove que me faz confusão aos neurónios!
Primeiro porque se algum pai quebrar a corrente [porque não concorda ou não pode mesmo comprar prendas para todos] a criança fica mal vista perante os amigos. Depois, porque mesmo entre eles há comparações sobre quem deu o presente mais giro ou mais original e por fim porque se criam expectativas e ansiedades aos miúdos para mim completamente desnecessárias. Podia estar aqui toda a noite a dissertar sobre este tema mas sinceramente ia terminar no mesmo: Não me faz sentido!
E o mais honestamente possível, acho que em alguns casos é mesmo uma obrigação dos pais, para os filhos não se sentirem mal perante os colegas e noutros, é uma competição dos mesmos para ver quem faz os saquinhos mais giros e leva o trofeu de pai mais esmerado!

Pronto, saltem-me em cima, chamem-me nomes, deixem de me ler. Mas tinha de falar!

Impor limites

4 de junho de 2018


Gosto de dar colo. Gosto de dar beijos. Gosto de abraçar. Gosto de dizer que Amo. Gosto de dar. Gosto de brincar. Gosto de dançar. Gosto de cantar. Gosto de mimar. Gosto de passear. Gosto de saltar e rebolar no chão. Gosto e faço tudo isso com ela, todos os dias. 
Mas também lhe digo que Não. Que não pode ser. Que não pode fazer. Que não pode bater. Que não pode falar assim. Que nem sempre temos tudo o que queremos e que a vida é mesmo assim. Dizem os livros que os três anos são uma fase egoísta. Uma fase de fazer prevalecer o "Eu quero, eu posso e eu faço". E cabe-nos a nós a tarefa árdua de explicar que não é bem assim. Que a liberdade de um termina quando começa a do outro. Que não é com vinagre que se apanham moscas. Que o Eu não pode prevalecer sempre ao Nós. Que o Nosso é tão ou mais bonito como o Meu. 
Às vezes há lágrimas. Mas também fazem parte. 
Sou pela disciplina positiva sempre, mas nunca pela permissividade. E se há coisa que eu prezo é o respeito, que é totalmente diferente do medo. 
Às vezes dói. E às vezes era tão mais fácil deixar andar, deixar seguir, dar tudo para calar, ignorar ou ligar a televisão e seguir caminho. Mas não pode ser. Esse não pode ser o caminho. E um dia ela vai agradecer!


Feliz dia da Criança

1 de junho de 2018


Neste dia em que em todo o lado se oferecem doces e brinquedos às crianças eu gostava que todos pudéssemos parar e observá-las com atenção enquanto brincam despreocupadas. Que cada um de nós escutasse com calma e alma a criança que tem em casa. Sem televisões ligadas. Sem telemóveis por perto. Sem emails abertos. Sem nada. Só nós e eles. A conversar. Sobre tudo e sobre nada. A vida corre tanto. A sociedade consome-nos tanto. E sem nos darmos conta nós nunca paramos. Nunca. Mesmo quando achamos que estamos a descansar estamos a trabalhar. Porque vai mais um email num instante. Vai mais uma mensagem. E eles crescem tão rápido. E hoje somos nós a pedir que eles se calem porque precisamos de atender aquela chamada. Que eles falem mais baixo porque precisamos de ouvir aquele programa. Que eles não nos interrompam porque temos de responder a meia dúzia de emails. E a vida passa. E eles crescem. E há tanto que se perde. E virá o dia em que a sociedade já não vai precisar da nossa correria, porque nós já não saberemos correr. E nesse dia em que nós quereremos falar e teremos todo o tempo do mundo para o fazer, serão eles a dizer-nos que não têm tempo. Que agora não pode ser porque a vida está a acontecer. 
Eles crescem tão rápido e é agora que precisam de nós. É agora que precisam do nosso colo. Do nosso abraço. Do nosso tempo. Da nossa energia. É agora que precisam que desliguemos do mundo e os façamos sentir que eles são o nosso mundo.
Não é fácil, eu sei. Construímos uma sociedade que nos suga levemente e nos desvia do que realmente interessa. Mas é possível. E é cada vez mais necessário!

A Magia dos abraços

31 de maio de 2018


Querida filha,
Hoje fizeste a maior birra de todos os tempos e eu, por mais que pense, ainda não consigo perceber o motivo. Foi mais de um quarto de hora avassalador, que me pareceu durar horas. Se por um lado o teu comportamento me deixou irritada, também me deixou triste e assustada. Sabes, eu às vezes também tenho medo. Medo de não te ensinar a lidar com a tua frustração da melhor forma possível. Medo de não te transmitir a educação que tanto prezo e os valores que tanto estimo. Sim, tenho medo de falhar redondamente no papel mais importante de toda a minha vida: o de ser tua mãe. 
Confesso, apeteceu-me bater-te na esperança de que acordasses da tua alucinação. Não o fiz. Apeteceu-me sair e deixar-te sozinha na sala, mas tive medo que te aleijasses e também não o fiz. Mas gritei-te. Uma, duas ou três vezes. Até que me caiu a ficha e percebi que nada ia resultar e que com a minha irritação perante o teu comportamento só te estava a deixar mais ansiosa. Parei. Respirei fundo. Contei até 10 e ofereci-te o meu colo. Ainda esperneavas e gritavas mas vieste aninhar-te no meu peito e pediste que te abraçasse. Eu abracei. O mais forte que consegui. E como por magia tu serenaste e esqueceste o que te estava a irritar. Ficamos assim alguns minutos até que tudo voltou ao normal. Sabes querida filha, há alturas em que eu também não sei lidar com tudo isto. E também há alturas em que perante a loucura me esqueço da magia que um abraço pode fazer. Hoje ele salvou-me. A mim de ser uma péssima mãe, e a ti das tuas emoções atribuladas.